Fim das super-modelos?

2009 Setembro 27
por Daniel Zimmermann

Mais um capítulo na novela das manipulações digitais em fotos de moda está acontecendo na Europa, mais precisamente na França. Que as grandes revistas de moda vendem um produto fantasioso com suas capas glamorosas, todo mundo já sabe. Acreditar que a imagem colocada em suas capas e páginas expressa a realidade é mostrar que o mundo ainda está cheio de pessoas ingênuas. Mulheres são literalmente esculpidas em programas de manipulação digital para vender ao mundo um padrão de beleza perfeito e irreal. A primeira página dessa controvérsia se iniciou também na França com a Revista ELLE publicando uma série de capas onde grandes nomes do cinema e do mundo POP apareceram sem maquiagem ou retoques digitais. Entre as modelos que toparam esse desafio encontramos Eva Herzigova, Sophie Marceau, Monica Bellucci, Karin Viard, Charlotte Rampling, Chiara Mastroianni, Ines de la Fressange e Anne Parillaud. A repercussão foi muito positiva e diversos fotógrafos e publicações ao redor do mundo deram seu apoio produzindo ensaios com o mesmo teor.

Agora a coisa parece que é um pouco mais séria e transcende a mera discussão artística criativa. Vários políticos franceses, liderados pela parlamentar Valerie Boyer, estão propondo um Projeto de Lei onde anúncios e capas de revista que possuam imagens de pessoas que foram adulteradas pelo uso de ferramentas digitais, tenham um aviso alertando que aquilo que está sendo mostrado não é real. A ação está sendo encarada como sendo uma preocupação de Saúde Pública. Segundo Valerie Boyer essas mulheres são mostradas de forma deturpada e “Essas imagens podem fazer as pessoas acreditarem numa realidade que, com freqüência, não existe".

A preocupação dos parlamentares é que adolescentes confrontadas com esse ideal de beleza ilusório possam ser vítimas de problemas psicológicos e distúrbios alimentares. Fotos divulgadas pela imprensa, fotos de campanhas políticas, fotografia de arte e imagens em embalagens de produtos, além de comerciais onde foram usados recursos de manipulação das imagens devem vir acompanhadas da seguinte frase: “fotografia retocada para modificar a aparência física de uma pessoa". A lei ainda tem que ser votada, mas parece possuir um bom número de apoiadores dentro da esfera política francesa. Além da preocupação com a saúde pública, esse é o tipo de ação que pode render uns bons votos, então não ficaria surpreso se outros países europeus também seguissem essa linha.

photoshop

Bem, para alguns pode parecer um absurdo, mas é um assunto que deve ser avaliado. Não sou inocente de pensar que uma fotografia representa uma verdade concreta. Ela está carregada de ideologia e é, afinal de contas, um veículo de comunicação. Hoje podemos acompanhar todo o processo de produção de nossas fotografias, não dependendo mais da intervenção de laboratórios. Fotografamos e “revelamos” em nossos próprios computadores. Mas, com o avanço das técnicas digitais de manipulação estamos passando de um limite imposto pela própria ética. Eu ficaria mais feliz que essa mudança de mentalidade fosse fruto de reflexões e discussões no meio fotográfico e publicitário. Mas, ao que parece tudo vai ser regulamentado pela força da lei. 

Fonte: Fotocolagem

Robert Capa: uma lenda

2009 Setembro 1
por Daniel Zimmermann

 

 Robert Capa (cujo nome verdadeiro é Friedmann Endre Ernő) nasceu em Budapeste na Hungria em 22 de outubro de 1913. Tornou-se famoso pelas coberturas fotográficas da Guerra Civil Espanhola, da Segunda Guerra Sino-Japonesa, daSegunda Guerra Mundial e da Guerra Arabe-Israelense de 1948. Morreu em 1954 durante a cobertura da Primeira Guerra da Indochina ao pisar em uma mina. Dizem que quando foi encontrado, suas pernas estavam dilaceradas, mas a câmera continuava firme em suas mãos. Considerado um dos grandes fotojornalistas da história, Capa foi um dos co-fundadores da Agência Magnum, em conjunto com David Seymour, Henri Cartier-Bresson e George Rodger. Embora tenha ficado famoso com a cobertura de Guerras, Robert Capa também possuí uma produção fotográfica voltada para outras áreas do fotojornalismo e até mesmo fotos de arte, mostrando que ele não era apenas corajoso, mas também muito talentoso.

Um dos episódios mais marcantes da biografia de Capa é que ele foi um dos poucos jornalistas que desembarcou junto com as tropas aliadas em Omaha Beach no Dia D. Fico imaginando ele correndo pelas trincheiras e desviando do fogo alemão. Porém, como o destino é impiedoso, depois de sobreviver ao desembarque, a maior parte das imagens acabou se perdendo porque o técnico do laboratório errou na hora de fazer a revelação. Apenas um punhado de imagens se salvaram. Recentemente, uma polêmica envolveu o nome do fotógrafo. Um jornal espanhol acusava ele de ter forjado uma de suas mais famosas fotos. A morte de um soldado legalista (a primeira foto abaixo) foi feita durante a Guerra Civil Espanhola e teoricamente mostra o momento exato em que um soldado é atingido por uma bala. Independente dessa imagem ser encenada ou não, as fotos de Capa são importantes não apenas por serem um registro dos piores momentos da humanidade no século XX, mas por tentarem levar um pouco de crítica a esses atos.

Para aqueles que estão começando na fotografia, o maior ensinamento do mestre é aquele que levo mais a sério até hoje: “Se a foto não está suficientemente boa, é porque você não está suficientemente perto”. Palavras de impacto para quem sempre esteve perto do perigo.

 

 

 

Concurso Fotográfico SOS Mata Atlântica

2009 Agosto 10

A Fundação SOS Mata Atlântica está promovendo mais uma edição do já tradicional concurso fotográfico SOS Mata Atlântica. A iniciativa visa chamar a atenção da população para a importância da preservação dessa formação florestal que abrange 17 Estados brasileiros e vem sofrendo agressões e destruição desde o início da colonização de nosso país. Para participar, é necessário fazer um registro de plantas, animais ou impactos ambientais sofridos pela floresta. As imagens devem ser impressas em papel fotográfico fosco ou brilhante no tamanho mínimo de 20×30 cm e serem enviadas pelos correios ou entregues pessoalmente na sede da Fundação SOS Mata Atlântica.

O concurso é dividido em duas categorias. A categoria de usuários de câmeras compactas vai premiar o primeiro colocado com uma câmera DSLR Nikon D40 com cartão de memória. O segundo e terceiro lugar vão ganhar um livro fotográfico com as 30 fotos classificadas e o quarto e quinto lugar vão levar para casa um kit com produtos SOS Mata Atlântica. A categoria avançada vai premiar o primeiro lugar com R$ 5.000,00, o segundo lugar com R$ 3.000,00 e o terceiro lugar com R$ 2.000,00. O quarto e o quinto colocados recebem R$ 1.000,00 e do sexto ao décimo colocados serão dados R$ 500,00. Vale lembrar que as 30 imagens vencedoras passam a fazer parte do acervo da fundação e serão usadas em campanhas de educação ambiental.  Para isso, o autor abre mão do seu direito autoral patrimonial, que passa a pertencer à fundação. A Fundação SOS Mata Atlântica já se mostrou uma instituição séria e com um trabalho necessário.

Para maiores detalhes e acesso a ficha de inscrição do concurso, é só visitar o site oficial do evento.

Fonte: http://www.sosma.org.br/hotsitefotos/

Nikkon 55-200mm 4-5.6 Vr

2009 Agosto 5

Após um tempo fora, por motivos que compartilho com vocês quero trazer algumas novidades:

Estou trabalhando para um Portal de Análise, Notícias e Opinião, lançado no dia 20 de Julho, aqui em Blumenau. é o Análise em Foco. pode ser acessado em www.analiseemfoco.com.br.

Está sendo uma experiência muito interessante em termos de fotografia. e no decorrer do trabalho senti uma louca necessidade de adquirir uma nova lente para fazer companhia com a básica 18-55mm 3.5-5.6f. Então, dando uma olhada no sita da Angel Foto (www.angelfoto.com.br) encontrei uma lente que estava de olho a muito tempo: Uma 55-200mm 4.-5.6f com VR. Era Semi-nova e resolvi apostar na compra. Fiquei impressionado com a Loja, pois enviou o produto no mesmo dia, e em 24 horas estava nas minhas mãos. O produto está novo, sem arranhões, fungos, nada. Perfeito!

Como toda criança que ganha um presente, quer experimentar a qualquer custo. Foi o que fiz e fiquei muito entusiasmado com as novas possibilidades que a lente tem trazido ao meu trabalho.

E percebi que em alguns sites é verdade quando se fala que geralmente devemos investir mais em uma boa lente do que num corpo de última geração. Corpos de máquinas digitais renovam todos os anos, mas os lançamentos de lentes, não. Uma lente de boa qualidade pode proporcionar fotos tão boas quanto uma lente inferior em um corpo de última geração.

O diferencial é o redutor de Vibração (A Cannon também possui o sistema) A sigla na Nikon é VR e na Cannon é IS. Este sistema consegue reduzir em 3 tempos a velocidade necessária para “congelar” a foto e torna-la nítida em condições de pouca luminosidade. Mas seu desempenho é bem melhor sentido em lentes tele-objetivas como a 55-200. Numa 18-55mm por exemplo, não compensaria adquirir a lente com este sistema.

A foto foi tirada usando abertura 5.6 em 200mm e iso 200 na D40 com Redutor de Vibração Ativo. Sem ele, talvez teria que ter feito uma sequencia de 10 imagens para aproveitar uma assim. mas com o Vr, foram necessárias 3 fotos:

O preço de uma semi-nova varia de 750 à 900 reais e uma nova de 1.400 à 1.900 reais. Um último conselho: ela tem construção de corpo frágil, então é bom ter extrema cautela com ao manusear a lente, não bater e não deixar cair no chão.

 

passaros

Como fazer fotos Multiposer

2009 Julho 29

Do colega Allyson Correia, trago um material fantástico produzido por ele de como fazer aquelas fotos onde a mesma pessoa aparece dezenas de vezes na mesma fotografia e tudo isso sem ter poderes sobrenaturais! Basta um tripé e um programa de edição de imagem. Show de bola, confira na integra: Ah, não se esqueçam de visitar o blog e o flickr dele.

Foto: Allyson Correia
AllysonCorreia_MultiPoser_01
Recentemente, esta foto minha foi utilizada como exemplo para discussão de uma técnica em uma comunidade do Orkut (Nikon D60 Brasil). Achei muito legal ver as pessoas curiosas sobre como a foto foi feita e cada participante da comunidade com a sua teoria, etc.

Atendendo ao pedido do Carlos Henrique, acabei escrevendo uma explicação bem simples de como funciona o processo para fazer um multi poser. Estou publicando aqui a resposta que mandei para ele por e-mail. Na verdade é muito fácil… mas precisa ter bastante paciência e um certo domínio de manipulação digital de imagens.

Equipamento necessário:

Câmera - qualquer uma com timer disparador ou controle remoto serve;
Tripé;
Programa para manipulação – Photoshop, PhotoPaint, Gimp ou similar.

Mãos na massa:

1) Encontre um lugar onde você quer fazer a foto e pense nas possíveis situações que você pode criar ali. Exemplo: em pé na janela, dormindo, lendo um livro, vendo TV, etc. Estas situações devem se SOBREPOR umas às outras O MÍNIMO POSSÍVEL. Isto vai facilitar bastante na hora da manipulação digital.

2) Controle ao máximo as condições de luz, se não as imagens ficarão muito diferentes entre si e o resultado final irá parecer falso.

3) Coloque a máquina no tripé e faça todos os ajustes necessários para uma boa foto. Trabalho com o maior valor de abertura de diafragma que a situação de luz permitir (f/22 para cima) para ter o máximo de profundidade de campo. Se puder evitar o uso de flash, melhor. Faça um primeiro clique “teste” e confira o resultado. Caso esteja tudo certo, NÃO ALTERE MAIS ESTAS CONFIGURAÇÕES.

4) Acione o timer e corra para a pose. Dá um certo corre-corre mas vale a pena. Ter um irmão caçula ou pedir para a namorada apertar o botão ajuda… Caso contrário, vá em frente e faça a captura de todas as situações.

5) Leve as imagens escolhidas para o Photoshop (vou usar este programa como exemplo) e coloque todas as imagens, alinhadas, em um único arquivo com várias camadas. Existe um comando “Load Files Into a Stack” que faz isso automaticamente, mas dá para fazer manualmente mesmo.

6) A partir daí, basta você trabalhar máscaras em cada camada, revelando nelas apenas a situação desejada e descartando todas as demais informações. ATENÇÃO: Uma destas camadas deverá ser eleita a “base” e somente ela revelará todo o cenário.

7) Quando chegar ao resultado desejado, achate a imagem, publique no Flickr e aguarde os comentários!

Espero ter ajudado e esclarecido um pouco sobre esta técnica. Torço para que dê tudo certo.

Caso tenham alguma dúvida, podem entrar em contato por aqui mesmo ou pelo meu Flickr.

Grande abraço e bons cliques!

Foto do mês: Menino de Manguinhos

2009 Julho 27

Estive visitando o wordpress do Fernando Souza, fotojornalista carioca com um olhar fotográfico muito bom. Em minha opinião, é bom com foto-reportagens e no trabalho de composições fotográficas.

A foto que gostaria de trazer conta uma pequena história com um desfecho incerto sobre o destino do menino de manguinhos. Logo após, quero suscitar uma breve discussão da intervenção ou não do fotojornalista na cena registrada.

Foto: Fernando Souza

 

Texto de Fernando Souza:

Desci do carro pra fazer umas fotinhas de chuva, na chuvosa sexta-feira de ontem, quando vi uma criança, bolinhas de tênis nas mãos, sentada no meio-fio, morrendo de frio…

O sinal estava fechado, mas ele não estava jogando as bolinhas para o alto…

Estava triste, cabisbaixo.  Algumas pessoas repararam na cena e deram uns trocados a ele. Acho que quase o vi chorar…

Não resisti e perguntei a ele, porque ele não ia embora, estava chovendo pra caramba, um frio danado, que ele iria acabar pegando um resfriado.

- Não posso, tenho que arrumar o dinheiro do gás.

- Qual seu nome?

- Henrique.

- Onde mora?

- Manguinhos.(Estávamos em Ipanema.)

- Quanto falta pra completar o dinheiro do gás?

Henrique pega os trocados, faz a conta e diz.  Muitos reprimem essa ação, mas dei a quantia que faltava para o gás, e pedi pra ele prometer que voltaria pra casa. Henrique se foi, mas se foi pra casa, não sei. :(

 

Foto: Fernando Souza

 

Chamou a atenção o diálogo que o fotojornalista iniciou, alterando o destino de Henrique  ao dar o dinheiro para o botijão de gás. Há muitas discussões sobre o fato do Fotógrafo interferir na cena ou não que acontece a sua frente. Manuais de fotografia tem um “breve” consenso no caso da real vontade do fotógrafo interagir com os motivos fotografados, deve-se nesse caso, primeiro fotografar, e depois intervir.

Em algum momento Fernando Souza deve ter havido uma comoção com a história do garoto, e o ajudou a comprar o gás.

Na primeira fotografia, a intervenção não deve ter ocorrido devido ao leve chapado dos planos (característica de uma tele-objetiva). Deduz-se que Souza estava afastado do rapaz. Então deve ter se aproximado mais e perguntou porque estava sentado na calçada.

A segunda foto já prescreve um resultado da realidade que Fernando ajudou a construir: Deu dinheiro ao rapaz para comprar o Botijão com a condição dele ir embora naquele momento para comprar. É certo ou errado? não pretendo encontrar a resposta, pois é uma resposta interpretativa subjetiva.

Digo que depende do ponto de vista: Levando em conta o lado humano, social do fato, Fernando agiu de forma correta conciliando o que os manuais dizem sobre intervenção do fotógrafo na cena jornalística. Fotografou primeiro, e interviu depois. E melhor que isso: Fernando deixa claro ao leitor que ele abordou e ele deu dinheiro e estabeleceu a condição para este dinheiro. Manipulação da realidade? Dentro do seu propósito não, até porque, Fernando passou a ser a realidade da cena. Diferente dele por exemplo, provocar uma briga entre policiais e manifestantes para registrar fotos e estamparem no jornal a briga, mas evidente sem dizer que foi o Fernando que deu início a briga.

Parabéns pelo registro e pela condução ética do trabalho. Merece ser a foto do mês aqui no blog.

 

Fonte: http://lafotometria.wordpress.com/ 

OBSERVAÇÂO: Estas fotos foram cedidas mediante solicitação à Fernando Souza, se alguém desejar alguma foto, favor entrar em contato direto com ele.

Uma nova oportunidade de fazer dinheiro com fotografia

2009 Julho 23

Sabemos que um dos grandes problemas em colocar suas fotos na web é que ela vai ser usada por muita gente que não vai dar os devidos créditos ao autor e muito menos pensar em pagar pelo uso da imagem. Por outro lado, se você está ciente que suas fotos são muito boas e pretende ganhar algum dinheiro com elas, pode coloca-las em um banco de imagens. Porém, eles estão pagando muito pouco atualmente por conta da grande concorrência entre eles. Mas, uma nova alternativa pode estar surgindo.

imageNessa semana foi lançado o MyPayCut.com que, segundo meu entendimento, vai fazer com mercadorias que possuem propriedade intelectual o que o Mercado Livre faz com quase todos os produtos materiais existentes. Através do site, vai ser possível comercializar diretamente com o consumidor final fotos, músicas, programas em vídeo, livros ou qualquer outra coisa que seja produzida por profissionais independentes. Grande oportunidade para fotógrafos, escritores, bandas ou produtores de vídeo que não possuem formas de comercializar o seu produto. Segundo os organizadores do serviço, será possível que usuários de celular com filmadora ofereçam vídeos para redes de TV com a cobertura em primeira mão de acontecimentos do cotidiano.

A diferença de um banco de imagens normal é que você determina o preço de suas fotos, ou qualquer outro produto, para a comercialização. A maioria dos bancos de imagens oferecem as fotos por um preço fixo. Existe um bom número de ferramentas de marketing acoplados ao site e o MyPayCut.com fica com uma comissão de 8% sobre o valor negociado. Em tempos de utilização massiva de imagens sem o devido reconhecimento do autor, acho um preço até justo. Para maiores informações é só visitar a página do serviço.

Fonte: Photography Blog

Fotografia de Pessoas: Ensaio de Moda

2009 Julho 20

Participei de algo que nunca havia feito antes: Fotografar modelos para uma matéria sobre Moda Inverno para um portal de opinião, análise e notícias que virá com toda a força em Blumenau.

3 garotas que nunca passaram por um curso de moda mais o fotógrafo aqui, que jamais pensou em fazer esse tipo de clique mais a equipe do portal passamos o dia fotografando no Parque Ecológico SpitKofh, em Blumenau.

O tempo estava bom, e bem convidativo para as imagens. Quero neste post, passar as impressões que tive ao trabalhar.

Primeiro que o trabalho entre fotógrafo e modelo precisa ser integrado, conciso. A modelo precisa entender o que o fotógrafo idealiza e também ( porque não?) sugerir quando necessário. Notei que cada mulher tem seu estilo, personalidade e isso contribui muito para o sucesso ou não de uma fotografia desse tipo. Ok, ai você vai me falar que é quase um Book. Ao fazer o trabalho busquei me perguntar o que difere fotografia de book e a de moda. Consultei o Ricardo Silva e ele sinteticamente respondeu que o book e quando você trabalha para vender a modelo e fotografia de moda a roupa ou estilo de se vestir. “Book é mais feito quando a mulher quer ser modelo”, complementa. Pensando assim, as nomenclaturas não acabam conflitando, são distintos.

Foi uma dúvida que me surgiu ao clicar as meninas, será que estou focando bem as roupas e acessórios ou ao mesmo tempo estou focando demais as meninas e ofuscando o propósito do trabalho? Se for analisar pelas repostas, relevando a forma como o material será editado, foi produzido um ensaio de moda, com enfoque nas roupas e acessórios.

O equipamento utilizado foi uma Nikon D-40 com lente 18-55mm 3.5-5.6 e iluminação ambiente. Procurei ajustar a máquina no local mesmo para ter que fazer o mínimo de intervenções no Adobe Lightroom, para trabalhar um total de 570 imagens em 4 horas seguidas de trabalho (este programa é perfeito, ele te dá um workflow fantástico!)

Ah, e aqui peguei gosto pelo foco manual, trabalhei com eles em algumas das fotos onde as meninas estão em duplas, e que diferença! vale a pena até abrir um post específico sobre foco manual e automático, vantagens e desvantagens.

Ao final da tarde, dava pra sentir bem o desgaste no rosto das meninas, bem como a disposição do fotógrafo em continuar, parece que o olhar fotográfico satura e cansa, quase não se consegue mais tirar proveito e idealizar novas cenas. Sinais sutis de que o trabalho chegou ao fim.

Entendo que a prática, o conhecimento mais aprofundado possibilitaria terminar este trabalho em menos tempo. Mas na vida, todos nos começamos de algum lugar. Levando em consideração os recursos disponíveis, as pessoas envolvidas o resultado ficou considerado por todos, muito bom. O ensaio com mais fotos está postado no meu Flickr clicando aqui.

Sugestões são sempre bem vindas! quem quiser agregar mais, os comentários estão abertos.

Arte_Moda

Flash: usar ou não usar, eis a questão

2009 Julho 19
por Daniel Zimmermann

Com esta seqüência de imagens registradas por um momento do acaso daqueles típicos, de “estar no lugar certo na hora certa” flagrei o exato instante em que a máquina da fotógrafa da Assessoria de Imprensa do Governador Luiz Henrique da Silveira disparou no auditório. A cena lembra um raio.

flash

 

 

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Fotos: Daniel Zimmermann

Pois bem, ao ver a seqüencia, fiquei extasiado com o “poder” que o flash têm. Em cima disso faço um post sobre essa épica discussão de usar ou não flash. A opinião que possuo é que quanto menos o uso do flash melhor, consigo boas fotografias sem o uso dele, até mesmo com uma lente mais escura. Porém, vale deixar dicas e mais esclarecimentos sobre como usar ele com maior eficiência e produzir resultados ainda melhores. Confira ai o que encontrei pela internet:

Existe um conceito muito errôneo, principalmente quando começamos a aprofundar mais em fotografia. Esse conceito é: o Flash estraga a foto.

Não é que o conceito esteja errado, mas muito menos ele está certo. Digamos que se bem usado o flash é um dos recursos mais importantes da máquina fotográfica. Como a própria definição de Fotografia (Registro da Luz) diz, tem que existir luz para que o registro não fique “estranho”.
Os estúdios fotográficos usam artifícios de iluminação para suprir a necessidade dessa luz, para evitar um problema comum em fotos de flash (estouro) e a luz incidente diretamente. Mas isso é para fotos Indoor (dentro de algum local) e também para realçar alguns pontos específicos do assunto principal.E como nós, meros mortais, podemos usar o flash evitando esses erros mais comuns?

Esse é o objetivo desse artigo: Expor situações em que o uso do Flash é fundamental e tentar diminuir o mito que flash prejudica uma foto muito mais que ajuda.

A maior parte das pessoas associa o uso do flash à fotografia de interiores ou de noite. Se bem que para estas situações acaba por ser a opção mais usual não significa que o flash seja para uso exclusivo nestas situações. Aliás muitas vezes o flash usado em exteriores/dia deve ser usado. Ou porque a luz é pouca, ou porque o contraste é muito, ou para congelar movimento, etc.
Infelizmente para a maioria das pessoas, o uso e especialmente o domínio do flash é complicado, quem começou a fotografar com unidades manuais sabe o quão frustrante pode ser usar um flash.

Para usar um flash é preciso perceber como é que uma maquina expõe uma cena (qualquer que seja a maquina; analógica ou digital). A ABERTURA DO DIAFRAGMA – que é o "buraco" por onde passa a luz que vai expor ao sensor e a VELOCIDADE DO OBTURADOR, que é o tempo que esse buraco fica aberto.
Portanto a ABERTURA regula quanta luz chega ao sensor e a VELOCIDADE regula a duração que essa luz expõe ao sensor.

Os iniciantes na fotografia, em geral, costumam condenar as fotos tiradas com flash por apresentarem efeitos artificiais. Os mais experientes, ao contrário, não o dispensa, chegando inclusive a usá-lo de forma criativa, não deixando nenhuma pista ou evidência do emprego deste recurso, apresentando resultados fantásticos. Para esses, o uso do flash é imprescindível.
As técnicas apresentadas são válidas, tanto para a fotografia analógica, como para a fotografia digital.

 

Tipos de Flash

 

Flash Manual

Para regular o uso do Flash manual temos a ABERTURA e a DISTANCIA ENTRE FLASH E OBJETO, que como o nome indica é a distancia física entre o flash e o objecto a ser exposto.
Para usar o flash focava-se a lente, a partir dai íamos a uma tabela normalmente gravada no próprio flash, onde tínhamos que procurar a abertura equivalente para aquela distância para determinado ISO. Isso era extremamente lento, irritante, e pouco amigável. Se a distancia se alterasse lá íamos nós outra vez à tabela para ajustar a abertura. Isto deve-se ao fato de o flash disparar sempre em potência máxima.

Essa DISTANCIA ENTRE FLASH E OBJETO é importante por causa da potência do aparelho. A potência de um flash designa-se de Numero Guia (Guide Number) ou GN.
Quanto mais alto o numero mais potente o flash. Quanto mais potente o flash mais longe a luz pode viajar. Mas o que acontece é que esta luz quanto mais viaja mais perde essa potência. Na verdade perde imensa potência. Chamasse lei do inverso do quadrado.

Vou dar um exemplo: seja um flash que tem um GN de 50 (em metros – muito bom por sinal).
Usando ISO100 para expor um objeto a 18 metros usa-se uma abertura de f/2.8, para usar f/3,5 baixa para 13mts, f/5,6 9mts, f/8,3 6mts; f/12,5 a 4 mts, etc. Isto é uma perca de potência incrível! Mas é uma regra universal que temos que viver com ela.
Ou seja, para calcular você tem que dividir o número guia pela distância do assunto, assim você obtem a abertura que tem que usar na máquina (muitas vezes tem que se arredondar).

Flash Automático

Como regra, quanto mais regulagens automáticas um flash possui, mais opções de preenchimento apresenta. Assim, se a exposição ambiente é 1/125 seg. a f/8 e você regular o flash e as lentes para f/8, terá uma razão de 1:1.

Para mudar isso, basta alterar a regulagem da abertura no flash, e deixar f/8 nas lentes. Desta forma, colocando f/5.6, no flash a razão será de 1:2; e para f/4 será de 1:4. Nos dois casos, o que acontece é que você está informando o flash de que regulou a lente para uma abertura maior do que ela realmente apresenta, e portanto, ele fornecerá menos luz ao ambiente. E assim, quanto maior a abertura regulada no flash, mais fraco será o efeito.

Flash Incorporado (Build-In)

Muita gente pensa que os flashes incorporados não possibilitam a técnica do preenchimento. Mas aqui estão as boas novas. Muitos deles não só possibilitam o preenchimento ( fill flash), como o regulam automaticamente. Isso quer dizer que você não terá controle algum sobre o flash, e então, terá que se contentar com o que ganhar – normalmente uma razão de 1:2.

Flash TTL (Trough The Lense) 

A grosso modo quando utilizamos o flash pode-se dizer que fazemos em simultâneo duas exposições: uma com a luz natural (controlada pela ABERTURA e VELOCIDADE DE OBTURAÇÃO) e outra com o flash (controlada pela ABERTURA e DISTANCIA DO FLASH AO OBJETO). Assim temos a ABERTURA como fator determinante para o controle da exposição
Com o TTL as coisas são necessariamente diferentes do flash manual. Eis rapidamente o que se passa com TTL:

Quando se pressiona o obturador o flash dispara, a luz bate no objeto e é refletida em direção a câmara, através da lente (TTL) atinge o plano do sensor onde é processada pelo processador da maquina. Assim que o sensor acha que a luz é suficiente manda desligar o flash. Tudo isto à velocidade da luz.

A grande diferença entre o flash manual e o TTL é que neste a exposição correta deixa de ser controlada pela DISTANCIA AO OBJETO ou pela ABERTURA, mas simplesmente no ato de desligamento do flash! Qualquer que seja a abertura utilizada a exposição correta é controlada por um "interruptor" (também chamado de Tiristor). Isto não quer dizer que a DISTANCIA AO OBJETO e a ABERTURA deixem de ser importantes, mas apenas que são muito mais controláveis.

Com o TTL o computador da máquina faz a exposição correcta independentemente da ABERTURA ou da DISTANCIA AO OBJETO (desde que estejamos dentro dos limites da capacidade do flash). Podemos escolher a ABERTURA que nos interessa para a Profundidade de campo necessária e não usar uma pré-selecionada na parte trazeira do flash!

Muitos poderão perguntar porque é que a VELOCIDADE DE OBTURAÇÃO não influencia a exposição do flash. Simplesmente porque é muito lenta! A duração média de um disparo de flash é entre 1/1000 e 1/23000 de segundo! A luz do flash deve expor a cena num único disparo (bom isto hoje em dia já não é verdade com os modos FP e equivalentes, mas para a compreensão do artigo, fica assim) e isto significa que as cortinas do obturador devem estar completamente abertas nesse momento, caso contrário ficará registada uma banda negra na película. É ai que entre a velocidade de sincronismo de flash (varia de modelo para modelo, mas poucas vão acima de 1/500)

A velocidade de obturação deverá ser escolhida para controlar a luz ambiente (luz natural não afetada pelo flash) e desde que nos mantenhamos dentro da escala de utilização do flash podemos utilizar um sem número de opções para controlar o efeito final da imagem.

Desde a mais elementar que é expor corretamente para o fundo, até situações em que podemos alterar esse mesmo fundo – desde torná-lo mais claro a completamente escuro.

Conceitos de Flash

Velocidade de Sincronismo

Para usar qualquer tipo de flash externo, seja portátil, acoplado à câmara, de estúdio e outros, temos que primeiramente observar a sua velocidade de sincronismo. Este sincronismo refere-se ao intervalo de tempo entre a abertura do obturador e o disparo do flash.

Ambos devem acontecer exatamente no mesmo momento. Para isto, necessitamos de uma velocidade específica que dispare o flash no exato momento em que o obturador esteja totalmente aberto para atingir o pico máximo de luz. Em flash embutidos esse conceito geralmente é obscuro já que a máquina tenta fazer tudo automaticamente.

Se o manual da sua câmera informar que o sincronismo do flash está regulado para 1/60, e se você acidentalmente utilizar uma velocidade mais rápida como 1/125 ou ainda 1/250, a foto sairá gravada somente em parte, pois a velocidade estará fora do pico, e a cortina do obturador estará cobrindo parte do filme durante a exposição.

As câmeras manuais mais modernas permitem sincronismo do flash até 1/250. Os modelos High Tech permitem até 1/800 ou mesmo 1/1000, dependendo de programas específicos. Entretanto, o que importa realmente saber é que a velocidade de sincronismo é a velocidade máxima permitida a operar com flash eletrônico. Esta velocidade, na maioria das vezes, registra apenas a luz emitida pelo mesmo.

Número Guia – Flash Manual 

Já foi discutido brevemente, mas é interessante abrir mais um tópico. Cada tipo ou modelo de flash tem uma potência, um poder de iluminação. Esta medida é o número guia, indicado no manual do seu flash, para filmes de ISO 100.

Em outras palavras, a luz que parte do seu flash se espalha e chega até o assunto com maior ou menor intensidade. Portanto, toda vez em que a distância se altera, é necessário alterar o diafragma para uma correta exposição.

Cada flash tem um número guia, uma potência diferente. Para facilitar o manuseio, cada tipo ou modelo vem com seu respectivo número guia impresso em seu manual (isso para flashes externos). Ou, com uma tabela de Distancia x Abertura, impressa no próprio corpo ou no visor de cristal liquido do flash. Observe-a com cuidado para conseguir a exposição correta.

Redutor de Potência

Este recurso adicional, encontrado nos flashes mais sofisticados, e vem designado com as potências – 1/1 (full – total), 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/32 etc.
Isto significa que em 1/1 o flash está em carga máxima e na medida em que se reduz esta carga sucessivamente, pela metade, a luz do flash reduz-se no numero de pontos equivalentes. Esse recurso é muito útil, quando se opera a distancias muito curtas, ou com filmes mais sensíveis, ou ainda apenas para economizar baterias.

Já que as marcas e modelos de Flash estão em constantes aperfeiçoamentos, recomenda-se ler seus respectivos manuais com atenção.

Nas câmeras tipo Hi Tech a redução de potência, é efetuada diretamente no respectivo programa para flash – TTL, acionando-se a respectiva escala de compensação, desde que se utilize o flash indicado pelos seus próprios fabricantes. Alguns modelos originais apresentam esta escala de redução mesmo em modo manual. Para maiores informações, consulte o livrete de instruções de seu Flash.

 

Ring Flash / Flash Anular

Há Flashes especiais para curtas distâncias, com pequena potência adequada à fotografia científica ou para documentação São conhecidos como Ring Flash, tipo circular, utilizado na frente da objetiva, acoplada como um filtro. Desenvolvido para situações especificas, para temas muitos próximos, em que a iluminação de um flash convencional não é adequada.

Fotografia dental, médica, macro fotografia, e outras aplicações afins, são alguns dos campos em que esta técnica é utilizada. Apresenta uma luz difusa, e em alguns de seus modelos o grau de difusão pode ser controlável. São encontrados em modelos manuais. Automáticos e até TTL. No entanto, seu raio de ação é limitado a 1.2 metros de distância.

Na falta destes flashes, podemos improvisar rebatedores para dirigir o foco de luz diretamente ao assunto a ser fotografado.

Flash como Luz Principal

Flash como luz principal é quando a luz do flash é a principal fonte de iluminação; interiores mal iluminando, noite, etc. A exposição para esta luz é bastante simples; o TTL calcula a exposição tendo em conta a luz refletida pelo objeto.

Flash de Preenchimento

Também conhecido como Fill Flash é quando a luz do flash preenche as deficiências da luz principal. O flash de enchimento usa-se para "encher" as sombras provenientes da luz natural.

Esse recurso é muito útil em dias ensolarados. O que pode acontecer nesses dias de sol forte, é o motivo a ser fotografado estar na sombra ou em contra-luz e são nessas situações que o uso do flash é bastante útil. É simples. Para iluminar as áreas sombreadas, dando um efeito natural, é bom usar o flash em potência baixa e com 1 ou 2 pontos a menos.

Em dias nublados o uso do flash dá maior saturação às cores, valorizando mais a cena. Nas câmeras eletrônicas, basta colocar a máquina no modo automático total “P”, assim a luz natural e a luz do flash são equilibradas sem superexpor.

Fotografia e análises

2009 Julho 9

Como há pessoas capazes de analisar de forma crítica e concisa uma fotografia? quais os aspectos e elementos relevantes na análise? há um formula?

Já tive oportunidade de estar presente em uma sala onde um grupo de jurados estava a avaliar cerca de 60 fotografias. Fotografias de pessoas amadoras é claro. Enfim, A questão é que cada concurso vai nortear os aspectos mais importantes e específicos que são daquele concurso. Uns podem elencar a luz como fator principal de escolha da fotografia campeã, ou talvez, seu ineditismo, ou ainda, a forma como sou composta a imagem.

Mas, basicamente percebi que a fotografia tem sua gênese de análise, nela mesma. Ela é quem vai ditar a forma como será analisada. Essencialmente possuirá maior afinidade com algum elemento morfológico. Resumindo:

http://ideiasemserie.net

Olhe para a fotografia desta arvore. O que mais chama a atenção? O elemento morfológico que mais chama a atenção é o contraste de cor. A arvore com seu tom escuro e o céu com as nuvens. Também há o posicionamento da linha do horizonte mais abaixo, para poder registrar a arvore em sua totalidade em termos de altura e o corte no lado direito da fotografia que nos impede de ver a outra parte da arvore de alguma forma foi uma quebra proposital para valorizar a regra dos terços.

A fotografia pode apresentar ou não, um ou mais elementos morfológicos que proporcionará peso em termos de imagem e mensagem fotográfica.

No caso da arvore, encontramos alguns mais evidentes. Outro, talvez nem tão chamativo é o lago ao fundo, com o reflexo de um conjunto de casas, talvez um pequeno vilarejo que suscita bucolismo, algo rural.

Mas quais destes elementos vale mais? É difícil mensurar, pois isso é subjetivo e vai depender de cada avaliador e dos critérios que tenham maior peso ou não no processo de escolha de uma fotografia. Por isso, mais do que ter uma máquina fotográfica “power” é preciso pensar a fotografia como mensagem, e escolher os elementos que vão constituir essa mensagem. “Dentro das possibilidades na realidade a qual o fotógrafo se encontra, o que neste cenário posso utilizar para dar contraste, textura, formar um bom enquadramento para passar a mensagem x, y ou z?”

No caso do repórter fotográfico, trago este texto um pouco mais denso, extraído do meu projeto laboratorial da Faculdade:

Para ir além

Segundo Pignatari (2003 p. 27), “pelo menos hipoteticamente, a palavra signo, através do latim signum, vem do grego secnom, raíz do verbo “cortar”, “extrair uma parte de””. Dessa forma, a fotografia é nada mais que um recorte de uma verdade, de um fato. Dentro da classificação dos signos, a fotografia é o ícone, pois possui semelhança com o seu referente. A significativa possibilidade do recurso fotográfico é a de retratar um corte da realidade.

A imagem é autenticadora da verdade. Mais do que isso, a imagem que a fotografia proporciona permite várias leituras e interpretações. Como a imagem não é uma linguagem verbal, se o fotojornalista não souber compor corretamente e ter um “olhar fotográfico” de seu assunto, ele corre o risco de produzir interferências no seu processo de construção da mensagem. Conforme Paiva (2004, p. 9), “a imagem não é fonética, nem verbal. Se a escrita é a representação verbal da linguagem, aquilo que vemos é a representação visual, para um sistema geral (verbal e visual) de representação, usado a comunicação.”

As imagens são separadas em dois esquemas de significações: o mundo das imagens e o esquema da comunicação. Para Júnior (2005), existem três tipos de mensagens nas fotografias: a mensagem lingüística, a mensagem denotativa e a mensagem conotativa. É na mensagem denotativa que a fotografia é caracterizada, com seus elementos dos planos, cor, exposição. A mensagem conotativa traz, para quem vê a imagem, um sentido subjetivo, nos faz pensar “O que esta fotografia nos quer dizer?”. Este processo de conotação segundo Júnior (2005), vem de um procedimento de produção de imagens baseado no estereótipo adaptado. Ao classificar uma imagem em uma categoria já existente, como por exemplo, a imagem do Papai Noel sentado numa cadeira com crianças no colo, torna-se mais fácil a sua reprodução, requerendo do fotojornalista o trabalho de adaptar às necessidades do momento, como ir ao shopping procurar o tal o papai Noel sentado numa cadeira atendendo crianças, e adaptar a situação para mostrar a fachada de lojas e construir o sentido conotativo de que o natal, para o capitalismo, tem propósitos de consumismo e vendas.

Para Bauer (2005, p. 336), “normalmente, nós não examinamos detalhadamente a imagem procurando seus sentidos culturais implícitos.” Não fomos treinados para fazer análises profundas das imagens; ao olharmos, associamos elementos da composição e buscamos ver o que agrada aos olhos. Por isso, muitas vezes, olhamos uma foto e gostamos dela sem saber exatamente o porquê, em outras, falamos “algo aqui não está legal”. E importante é buscar olhar a construção do sentido da imagem, segundo Júnior (2005), o momento da enunciação fotojornalística que irá permitir evidenciar os recursos utilizados pelo repórter fotográfico na construção das fotografias.

Fonte: Imagem: http://ideiasemserie.net

Referências Bibliográficas:

BAUER, Martin;W. Gaskell, George (Ed). Pesquisa Qualitativa com texto, imagem e
som: um manual prático, Petrópolis, Vozes, 2005.
JUNIOR, Nelson Soares Pereira. Discurso e Imagem: Possibilidades Metodológicas para
uma Análise Discursiva do Fotojornalismo Contemporâneo. Disponível em:
<http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/18218/1/R0894-1.pdf >Acesso em: 7 set. 2007.
PAIVA, Maria Eliana Facciola. Teorias da imagem, os modos técnicos do visual.
Disponível em: <http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/19632/1/Maria+Eliana+Facciola+Paiva.pdf> Acesso em: 7 set. 2007.
PIGNATARI, Décio. Informação Linguagem Comunicação. 25. ed. São Paulo: Ateliê
Editorial, 2003.