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Entre palavras e imagens, texto legenda e legenda como se faz?

27 de abril de 2009

Para começar bem esta semana, trago um breve estudo sobre legenda e texto legenda. Estamos tão acostumados as técnicas fotográficas e disparar o obturador por ai que nos esquecemos muitas vezes, que uma das nossas tarefas também é a criação ou sugestão de legendas, afinal, somos Fotojornalistas!

O que diferencia um fotógrafo de um fotojornalista? O primeiro, só tem o foco com a fotografia, a imagem. O segundo, além de se preocupar com a imagem, também se preocupa em atribuir um sentido a fotografia ao subordinar um texto a imagem fotográfica podendo este sexto ser informativo e/ou complementário.

Sim, mas no calor da “batalha” não dá para parar de fotografar e pegar o bloco de notas para registrar um legenda para a foto que você acabou de registrar, de fato, não e nem aconselharia a isso. Então não seria responsabilidade do editor ou do repórter fazer a legenda? Depende. Minha opinião pessoal é de que independentemente de quem escreva a legenda, o fotojornalista tem que ser consultado sobre o que está sendo escrito para aquela legenda, melhor ainda, se o fotojornalista escrever ou editar-lá.

Nem sempre é possível pois em jornais diários é necessário a otimização do tempo e esse processo acaba truncando processos de produção de notícias e neste caso, é fundamental o repórter fotográfico conversar e argumentar com o repórter, as fotos que em sua opinião ,são as mais relevantes para a notícia a ser publicada. Isso proporciona sintonia entre quem registra a imagem e quem vai redigir a matéria. É recomendável que o fotojornalista tenha em mente o assunto e qual o foco do assunto que o repórter irá registrar. Embora, existam fotojornalistas que preferem só o básico do tema, “o que quando, porque, como e com quem” e deixar a intuição o “feeling” ditar a regra e as composições, para não atrapalhar ou censurar o sentido de criação fotográfico.

O texto chama a atenção para alguns elementos da fotografia denotando (direcionando) o leitor para aquilo que a fotografia representa, mas também em certas ocasiões pode ser redundante em relação a imagem. O texto pode ainda exercer a função de complementar informativamente a fotografia devido a incapacidade da imagem demonstrar conceitos abstratos e assumir conotação e assim, abrir o leque de significações e orientar para interpretações que se pretendem dar ao leitor. Geralmente nos grandes jornais, as legendas são habitualmente escritas pelos chefes de redação, mas independentemente de quem for escrever a legenda, o repórter fotográfico deve fornecer toda a informação necessária para a elaboração da legenda.

A legenda começa com o trabalho do repórter-fotográfico em campo e quando ele está trabalhando em conjunto com um repórter fica evidente que ele não precisa recolher tantas informações do que quando está a trabalhar sozinho, entretanto isso não deve ser um descuido para ter conhecimento de quem fotografou e como se escreve corretamente o nome. (SOUZA, 2004, KEENE, 2002).

Sobre Leitor e legendas

O leitor pode compreender o que foi dito por meio de qualquer palavra utilizada, mas existe uma outra parte do processo de comunicação que é o que o redator do jornal ou fotojornalista quis dizer com aquelas palavras, qual a intenção por detrás das legendas. Segundo Sartori, a compreensão somente ocorre quando o ouvinte (leitor) reconhece a intenção do enunciador (fotojornalista).

Quando o ouvinte (leitor) falha em estabelecer a relação entre o dito e o implícito, automaticamente, por filtros culturais, sociais, profissionais, experiências de vida, são organizadas e a mente busca uma interpretação baseados nos valores do indivíduo para o vazio da enunciação causado pela falha.

E aqui vale uma consideração: Todas as fotografias necessitam de epígrafes, ou seja, um pré-texto que serve ao texto principal, por resumir de forma exemplar o pensamento do autor.

São raras as fotos que encontram sentido nelas mesmas. Se a fotografia é responsável por atrair primeiro a atenção do leitor na página, logo em seguida ele vai desejar saber quem está na foto e porque foi utilizada.

Por isso é importante buscar trabalhar o princípio de cooperação de Grice baseado em três categorias definidas por suas respectivas máximas:

I Categoria da quantidade
1a. máxima: Faça sua contribuição tão informativa quanto necessária (para os propósitos reais da troca de informações);
2a. máxima: Não faça sua contribuição mais informativa do que o necessário.

II Categoria da qualidade
Supermáxima: Tente fazer sua contribuição verdadeira
1a. máxima: Não diga o que acredita ser falso;
2a. máxima: Não diga algo de que você não tem adequada evidência

III Categoria da relação
Máxima: Seja relevante IV Categoria de modo
Supermáxima: Seja claro
1a. máxima: Evite a obscuridade de expressão;
2a. máxima: Evite a ambigüidade;
3a. máxima: Seja breve (evite prolixidade desnecessária);
4a. máxima: Seja ordenado.

A fotografia, segundo Faria (1991, p.107) deve ter algumas características fundamentais tais como: captar o fato em seu momento decisivo, o valor deve ser informativo e deve ser nítida, sem elementos supérfluos.

A fotografia tornou-se o primeiro instrumento mecânico para registro analógico da realidade.A fotografia jornalística (…) envolve conhecimentos muito além do manuseio do processo. Trata-se de selecionar e enquadrar elementos semânticos de realidade de modo que, congelados na película fotográfica, transmitam informação jornalística. (Lage, 1993, p.24-6)

Toda fotografia deve ter legenda. Quando folheia um jornal ou revista o leitor vê em primeiro lugar os títulos e as fotografias. Nesse momento vai querer saber o que as fotografias mostram e por que estão ali. Se não descobrir poderá perder interesse pela matéria, virando a página.

Como fazer corretamente a criação de uma legenda?

Não existe formula mágica mas há alguns parâmetros recomendados. Usarei como exemplo o que o Manual de Redação e Estilo do Jornal Estado de São Paulo comenta.

A primeira delas é que não existe ponto final: Presidente ouve ministro: sucessão em debate / A defesa considera o capitão “corajoso”: Justiça decidiu que ele é “indigno da farda”

Outra que se dá, é que as legendas devem, sempre que possível cumprir duas funções na seguinte ordem: descrever a foto, com o verbo preferencialmente no presente e dar uma informação ou opinião sobre o acontecimento e o uso de dois pontos é recomendável a se utilizar por ser um elemento facilitador de compreensão da legenda.

Presidente ouve ministro: sucessão em pauta / Moradores reagem: “queremos as arvores de volta”

É importante também ressaltar que o(s) detalhe(s) referido(s) na legenda conste do noticiário, para que, a informação não se torne solta e sumária no jornal e nem deixe dúvidas no espírito do leitor. Em resumo, não adianta colocar uma informação que não conste na fotografia, e muito menos no texto.

Com um espírito ético, o manual também faz uma consideração interessante: Não force conclusões exageradas. A foto de uma pessoa aparentemente assustada, sem nada que o justifique, principalmente o texto, desautoriza qualquer legenda apressada como: Joãozinho no Corinthians: assustado com a responsabilidade / Presidente do PMDB não esconde preocupação, destino do partido esta em jogo

E texto legenda?

Como o texto legenda é ao mesmo tempo uma notícia e uma legenda, deve, por isso descrever a fotografia e relatar o fato em linguagem direta e objetiva. Recomenda-se que o texto legenda preencha de três a cinco linhas cheias, ou o que a diagramação propuser. Lembre-se que não existe parágrafo inicial e nem intermediário no texto legenda.

O ideal em um texto legenda é ele conter pelo menos duas frases. A primeira descritiva e a segunda complementar e informativa. Como título, reproduza algum pormenor da notícia ou mesmo a síntese:

Visita “protocolar”

O general João de Almeida passa em revista a tropa formada em sua homenagem na Academia Militar das Agulhas Negas. O Oficial fez ontem uma visita “meramente protocolar” a escola.

Se preferir, para ganhar espaço, o texto legenda pode assumir caráter totalmente informativo. Evite apenas por uma questão de ritmo, colocar todas as informações em apenas uma frase:

Praia sem sol

Depois de horas de congestionamento nas estradas, o paulistano aproveitou o mormaço de domingo e lotou as praia entre elas a da Enseada, no Guarujá. A dersa prevê um retorno também complicado: mais de 500 mil carros passaram ontem pelos pedágios do sistema Anchieta-Imigrantes

Fontes:

FARIA, M.A. O jornal na sala de aula. São Paulo: contexto, 1991.

LAGE, NilsonLinguagem jornalística. 4.ed. São Paulo: Ática, 1993.

MARTINS, Eduardo. Manual de Redação e Estilo O estado de S. Paulo, São Paulo, Editora Moderna, 2001.

KEENE, Martin. Fotojornalismo, Guia Profissional. Lisboa, Portugal: Dinalivro, 2002.

SOUSA, Jorge Pedro. Fotojornalismo Introdução à História às Técnica e a
Linguagem da Fotografia na Imprensa. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004.

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