Skip to content

Imparcialidade na fotografia: Existe?

12 de maio de 2009

O fotógrafo Lewis Hine,  é dono de uma frase que faz muito sentido e abre o tema do post de hoje: “Fotografias não mentem, mas mentirosos fotografam”.

Vamos por partes. Ouvi muitos discursos de veículos de comunicação que prezam a imparcialidade, o tom neutro, a transparência na divulgação de informações com isenção. Será que é possível um jornal atingir essa concepção? Creio que não, primeiro porque o simples fato de querer ser imparcial, já é uma ação subjetiva, segundo e talvez mais importante é a fotografia publicada no jornal.

Isso porque o fotojornalista começa o seu processo de criação fotográfico, já no momento em que lê a pauta a ser desenvolvida. Nesse momento ele cria mentalmente algumas pré-imagens que intenciona registrar durante a reportagem. A conversa com as pessoas envolvidas nas pautas além de contribuir para o processo fotográfico ajuda a direcionar o que se pretende registrar.

Ao realizar o meu Projeto Experimental em Comunicação com o fotojornalista do Jornal de Santa Catarina, Artur Moser desde o começo de sua carreira jornalística muito têm destacado o fazer corretamente o fotojornalismo. É uma característica qualitativa de sua personalidade enquanto pessoa, primar pelo “fazer correto” e assim, transferir a realidade com o mínimo de interferência na cena, o que na sua opinião, é construir uma realidade que não existe e, portanto, uma afronta ao princípio da informação verídica.

E essa forma de pensar já sugere parcialidade, ou seja, suas fotografias já serão concebidas dentro de valores culturais e profissionais.

O momento em que o repórter-fotográfico aperta o disparador da câmera, que seria chamado de instante fotográfico, é por muitas vezes, um processo intuitivo motivado pela pré-visualização na cena que se pretende registrar e se forma através de valores estéticos, culturais e profissional num processo que no “calor” do momento leva menos que segundos para ocorrer. A tomada de ângulos, o enquadramento, a composição, os elementos escolhidos para sofrerem o corte fotográfico sempre serão um toque subjetivo da realidade apresentada. Porque uma fotografia privilegia alguns elementos da fotografia e não outros? o que teria a volta do profissional além do espaço visível da fotografia? Tudo isso, é sem dúvidas um processo de escolhas, e este processo é subjetivo.

Mesmo que um jornal faça um discurso imparcial e seus textos sejam os mais “higiênicos” possíveis jamais conseguirão fazem com que a fotografia seja imparcial. Até a escolha da fotografia que será publicada não é imparcial, se está lá, é por algum motivo, seja estético, dramático ou político.

Finalizo dizendo que  fotografia é um recorte de uma realidade que agora se torna o passado, e as pessoas creditam veracidade ao seu conteúdo, enquanto os fotógrafos, estes sim, podem mentir ou omitir a fotografia.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: