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Fotografia, como se faz?

21 de maio de 2009

O artigo a seguir, é um trecho do meu Trabalho de Conclusão de Curso e achei pertinente postar pela sua relevância abrangente, mas ao mesmo tempo, explicativa.

Primeiro deixar claro que cada um tem seu jeito de fazer uma fotografia. Pode fazer o teste: Peça para diferentes pessoas fotografarem o mesmo assunto. Com certeza você verá resultados até parecidos, mas nunca iguais.

Segundo Souza (2004, p. 35) Fotografia significa “escrever (grafia) com a luz (foto)”, oras, até ao escrevermos, temos nossa própria “impressão digital”, a grafia de cada pessoa é diferente uma da outra.

A Fotografia, segundo Kossoy (1989), é composta de três elementos: o assunto, que é o objeto registrado; a tecnologia, que viabiliza a produção da foto; e o fotógrafo, que motivado por suas experiências, vontades, sejam elas de ordem pessoal ou profissional, elabora um complexo processo de configuração fotográfica por meio da união dos processos culturais, estéticos e técnicos que ocorre em determinado espaço de tempo. “Toda e qualquer fotografia tem sua gênese num específico espaço e tempo, suas coordenadas de situação.” (KOSSOY,1999, p. 26). Este processo de criação constitui uma representação na qual é necessário interpretar seus elementos constitutivos.

Para Kossoy (1999), são elementos indissociavelmente incorporados na imagem fotográfica. São eles de ordem material e de ordem imaterial. Os de ordem material são os elementos de recursos técnicos, ópticos, químicos e eletrônicos, necessários para a concepção da fotografia. E os de ordem imaterial, como o próprio nome diz, são elementos mentais e culturais. Existe um grande esquema de articulação destes elementos na mente do fotojornalista, que irá constituir o processo de criação. Segundo Kossoy; (1999, p. 27), “o assunto, tal como se acha representado na imagem fotográfica, resulta de uma sucessão de escolhas; é fruto de um somatório de seleções de diferentes naturezas”. Essas diferentes naturezas como Kossoy (1999) expõe, podem ser equiparadas à experiências profissionais, valores culturais, estéticos, sociais. Estas escolhas não trabalham de forma independente, elas interagem entre si e constituirão a representação. A representação fotográfica se ergue em cima de dois alicerces que são a fragmentação e o congelamento, pois, na fotografia, temos a fragmentação, que é o recorte de um espaço, de um assunto e, posteriormente, o seu congelamento, que é a paralisação temporal do assunto, e isso ocorre no ato do registro da foto. O ato de fotografar é essencialmente um ato de não intervenção, pois, quem intervém nos acontecimentos e fatos, é incapaz de registrar e quem está registrando é incapaz de intervir. Apesar da máquina fotográfica ser um instrumento de observação, o fotógrafo também é cúmplice daquilo que está a fotografar como tema. (KOSSOY, 1999; SONTAG, 1983).

Kossoy (1999) ressalta que o processo de criação fotográfico não se encerra apenas no ato do clique do fotógrafo, pois a interpretação da fotografia ainda passará por um processo de reenquadramento, edição química ou digital nas editorias dos jornais. Porém, segundo Kossoy (1999, p. 30), fica evidente que a representação fotográfica ocorre em maior peso pelas mãos do fotógrafo: as possibilidades de o fotógrafo interferir na imagem e, portanto na configuração própria do assunto no contexto da realidade […] dramatizando ou valorizando esteticamente os cenários, deformando a aparência de seres retratados, alterando o realismo físico da natureza e das coisas, omitindo ou introduzindo detalhes, o fotógrafo sempre manipulou seus temas de alguma forma.

Por isso, afirmo que a fotografia não (até que se prove o contrário) o espelho fiel da realidade, e sim uma representação dela. um conjunto de indícios (índices) de algo que em algum momento do tempo e do espaço deixou de existir. O olho humano, é como a lente da máquina, apenas faz a leitura passiva do que está adiante, entretanto, o cérebro (tal como o fotógrafo atrás da lente) é quem processa e interpreta a cena, dá sentido, e gera conclusões.

Então, quando sair para fotografar, procure pensar a fotografia, exercite a mente. Não faça como os manuais das máquinas dizem “aponte e atire”. Pois até no fotojornalismo, a fotografia tem seu viés de manipulação e também seu toque de arte.

 

KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. São Paulo: Ateliê Editorial,
1999.

SONTAG, Susan. Ensaios Sobre a Fotografia. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Arbor, 1983.

SOUSA, Jorge Pedro. Fotojornalismo Introdução à História às Técnica e a
Linguagem da Fotografia na Imprensa. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004.

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  1. Thais Beserra Marques permalink
    10 de maio de 2010 8:16 PM

    fotografia não deve ser considerada apenas como uma imagen passada para o papel mais sim como a observasão do nosso intimo.Do que sentimos, escomdemos , desejamos e principalmente do que queremos. POis não existe algo tão emocionante como uma recordasão que você possa ver e sentir algo que já passou. UM momento que para muitos não e nada mais para vocÊ E UNICO.

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