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Caderno de Informática da Folha de S. Paulo

28 de maio de 2009

Estou na correia com o X Intercom, que é realizado até sábado na FURB (Universidade Regional de Blumenau) em Blumenau, SC. Ontem de tarde, ao ler a Folha de S. Paulo li o caderno de Fotografia na seção de Informática e antes que eu começasse a escrever sobre o assunto, a Alexandra Martins (novamente, sempre contribuindo com o Blog) já me passou um post sobre o assunto. Li, gostei e é direcionado mais para o nosso universo, o do fotojornalismo.

Confesso que na parte que fala sobre dicas de profissionais, faltou maiores dicas e conselhos no que se refere ao fotojornalismo. Embora eu compreenda que o foco principal da matéria sejam o público amador. (nada pejorativo, mas a minha concepção entre profissional e amador está na finalidade, ou seja, o amador faz por hobbie, e o profissional o faz por uma questão de trabalho, emprego.)

Publico abaixo o post com comentários do Blog A Imagem em negrito:

Por Ana Estela de Sousa

Hoje (no caso ontem dia 27/05)  o caderno de Informática da Folha deu várias dicas muito boas para quem quer escolher a máquina, aproveitar os melhores recursos para fotografar diferentes tipos de situações/cenários, fazer compras com melhor custo-benefício etc. Assinantes lêem aqui.

Isso me deu a idéia de pedir a alguns fotógrafos da Folha para também darem dicas de como escolher a melhor câmera, mas desta vez dirigidas àqueles que têm interesse em trabalhar como repórteres fotográficos.

O RAFAEL ANDRADE, da sucursal do Rio, fez um verdadeiro manual para quem quer seguir os passos dele. Alegre [Outra dica é visitar o blog dele, que tem informações sobre as coberturas que ele fez e outras que deram errado].

Dividi em tópicos e aí está:

Boas câmeras
Indicar câmera é sempre complicado. Acho que comprando ou Nikon ou Canon você está bem equipado.

A Nikon em geral é mais cara, mas no segmento amador tem mais qualidade que a Canon em lentes mais baratas.

E isso às vezes pode ser uma ótima ajuda para quem está começando. Você consegue comprar lentes com mais qualidade com um preço mais em conta.

Por outro lado, todos os grandes jornais do brasil adotaram Canon. Se você for fazer frilas na Folha, no "Estado" ou no "Globo", e tiver equipamento da mesma marca, pode pegar emprestado lentes maiores, que você não precisa ter, para fazer algumas pautas mais específicas – como futebol, em que uma lente grande é fundamental.

A câmera tem que trocar de lente

Para fotojornalismo só há uma opção viável: comprar uma máquina SLR. Máquinas Paralax e com lente fixa em geral não são indicadas, pois em fotojornalismo todo dia você está clicando algo diferente.

Então ter uma câmera que te permita trocar lentes é fundamental.

Lentes essenciais

O básico do trabalho em jornal te pede duas lentes. Uma grande angular meia tele, como uma 28-70, e uma tele maior 70-200 já dão conta da maior parte das pautas.

Não precisa ser das mais luminosas, mas diria que, no dia-a-dia, trabalhamos em situações de péssimas condições de luz. Então uma lente com abertura f/4 é uma opção não tão cara, mas que quebra o galho. Além disso, as máquinas mais novas são capazes de trabalhar com ISO mais alto, ou seja, em situações de luz mais baixa, com mais qualidade.

Sobre o flash

Hoje em dia recomendaria também que você tivesse mais de um flash, ou então um cabo, ou transmissor, que te permita tirar o flash de cima da máquina. Isso ajuda muito nas pautas de retrato, pois permite posicionar melhor a luz, fugir de reflexos, bem como iluminar melhor o fotografado.

Acessórios

Acho mais interessante investir em coisas que melhoram as pautas simples, principalmente os retratos – como, por exemplo, acessórios para o flash, um rebatedor, um transmissor de flash, ou mesmo um cabo –, do que comprar lentes acima de 200mm.

Em geral, quando você começa a frilar em jornal você pega muitos retratos para fazer, e uma lente 300mm, por exemplo, que custa uma nota preta, adianta muito pouco em uma situação comum de quem está começando.

Por outro lado, um transmissor ou mesmo um segundo flash custam em torno de metade do preço de uma lente como essa, às vezes menos, e você usa muito. E à medida que usa, quer mais soluções para seu pequeno arsenal de equipamentos.

Cartões de memória indicados

Compre cartões de memória bons. Não adianta nada empatar dinheiro em uma Ferrari (ok, num Uno Mile), que vai te fazer ganhar dinheiro, e colocar um kit gás ou gasolina batizada Muito feliz

Compre mais de um cartão, se possível três, de boa capacidade – a partir de 2GB –, e trabalhe sempre com a máxima capacidade da máquina.

Recomendo apenas três marcas: Sandisk, Lexar e Kingston.

Não adianta fazer uma linda foto e depois descobrir que o arquivo dela é de baixa qualidade. A gente fotografa para ver as fotos bem publicadas e de preferência grandes.

Não importa que o jornal diga que não precisa de arquivos enormes – guarde-os para você, e transforme os grandes arquivos em menores em um programa de edição para enviar para o jornal. (com certeza, isso aprendi trabalhando na assessoria de imprensa da FURB, sempre melhor trabalhar com fotos em alta resolução porque depois para diminuir fica tranquilo. Pois com o arquivo grande, é possível a reprodução em diversas mídias como revistas, jornais, e folders. E nem precisa ser com 10.megapixels pra cima, entre 6 e 8 é muito bom. acima de 10.0 dependendo da máquina ela já fica um pouco lerda para processar, guardar e liberar o obturador para uma nova fotografia.)

Programas de edição

Não se preocupe em ser jockey de mouse e ter o último Photoshop instalado.

Há bons programas de edição e tratamento mais baratos que o Photoshop CS4 – como o Lightroom da Adobe, que estamos usando agora no jornal.

O Adobe Photoshop Lightroom é muito mais em conta que um Photoshop, mais intuitivo e mais prático. (Apostem neste programa, estou usando ele e acho uma ferramente poderosa de pré e pós edição de fotos. Ele organiza, cataloga e até faz edições nas fotografias com recursos intuitivos e inteligentes. Consigo trabalhar por exemplo, a edição de 100 fotografias em menos de 30 minutos! e praticamente, não uso o photoshop. É uma verdadeira biblioteca editorial de imagens.)

Transmissão das fotos

Lembre-se: um laptop e uma placa de transmissão fazem com que você consiga transmitir suas fotos em quase qualquer ponto do Brasil.

Enquanto um desktop ótimo só vai dar a chance de você sentar a bunda na cadeira em casa.

(Assino embaixo, a tendência é que cada vez mais repórter fotográficos se utilizem desta tecnologia para transmitir imagens diretamente para as redações e interessados em adquirir fotos de forma rápida e precisa. Precisa porque já existem modelos que integram o GPS e inscrevem essas coordenadas na fotografia, assim o editor pode saber qual foi o exato lugar em que a foto foi tirada. É o jeito de conseguir furos de matérias e colocar na web ou no jornal impresso quase que minutos depois que o evento ocorreu.)

Dicas de sites

Sobre câmeras, recomendo o site http://www.dpreview.com/, em inglês, de um cara chamado Roger Gailbraith que é tarado por testar coisas. Ele costuma fazer testes estranhos, como usar seis marcas diferentes de cartões de memória e dizer qual é o mais rápido em seis máquinas diferentes. (Na minha modesta opinião, o melhor site de análise de máquinas digitais e lentes. Mas vale a dica final: sempre que for comprar uma SLR, procure testar ela antes, faça uns cliques, sinta a “pegada” dela. até porque, como existe uma grande variedade de modelos, o gosto acaba sendo pessoal.)

Tem também os sites da Canon e da Nikon, que dão informações sobre todos os modelos de máquina em produção atualmente.

O site da B&H tem quase tudo que é fabricado em fotografia à venda. É ótimo para se informar sobre os preços lá fora e avaliar quanto você pode gastar para comprar aqui seu equipamento.

As melhores dicas: observe, imagine, estude

Fora isso, a única boa dica que eu posso dar é: fotografe muito e observe atentamente o que o jornal em que você quer frilar ou trabalhar publica. (essa dica também serve para quem gosta de trabalhar com assessorias de imprensa)

Faça muita engenharia reversa das fotos. Tente imaginar como o fotógrafo que fez aquela foto chegou àquela foto. Que luz, qual a direção, que lente, que enquadramento.

Quando fiquei desempregado há uns anos, após sair de um estágio em jornal grande, passei um ano como assistente em um estúdio. Todo dia eu lia o jornal que me dispensou e via cada foto que era publicada. E fazia exatamente isso: estudava cada foto, principalmente as ruins, para criar um repertório na minha cabeça de soluções para situações jornalísticas. Isso ajuda muito todos os dias.

Saber três formas de fazer uma foto em geral te leva a três fotos diferentes e três chances de fazer alguns editores, um repórter e um diagramador sorrirem.
Tente sobretudo entender por que o jornal publicou aquela foto na primeira página e aquela que você achou tão mais legal apenas dentro do caderno.

Pense editorialmente, pense nas fotos que você faz e pergunte a quem trabalha como faz cada coisa. Bons profissionais em geral são muito acessíveis. Com calma e curiosidade você pode aprender muito.

Nunca subestime o fotojornalismo ou a importância do que você fotografa.


Para fechar, eu queria dar um exemplo recente do frila Yuri Gonzaga, que, conhecendo o tipo de foto que a Folha publica, procurou o jornal anteontem e conseguiu emplacar a foto principal da capa de ontem. Ele usa uma Canon 30D com lente 50mm 1.8.


foto: Yuri Gonzaga

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