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Fotojornalismo de Casamento

2 de junho de 2009

Por Erico Elias

O termo fotojornalismo aplicado à fotografia de casamento ficou banalizado e se tornou um lugar-comum. Para tentar entender e explicar o que há de mito e o que há de realidade no assunto, Técnica & Prática conversou com o mineiro Vinícius Matos, profissional que atua há sete anos no ramo e já ministrou muitos workshops sobre o assunto.

Segundo Vinícius, o estilo de cobertura fotojornalística começou a migrar para a fotografia de casamento a partir do final da década de 1980. O movimento teve início nos Estados Unidos, com fotógrafos como Dennis Reggie, que usaram a agilidade adquirida no fotojornalismo para conseguir imagens surpreendentes e espontâneas, muito diferentes das clássicas fotos posadas.

“Nós devemos muito a essa geração, pois ela foi a responsável por colocar a fotografia de casamento em voga. Antes, cobrir casamento era algo depreciado no mundo da fotografia, uma atividade considerada inferior, e os próprios fotógrafos da área contribuíram para isso, pois raramente ousavam ir além do tradicional. Hoje, a fotografia de casamento é dos ramos mais bem-remunerados e criativos. E está atraindo não apenas profissionais advindos do fotojornalismo como também da fotografia de moda”, diz Vinícius.

Algumas características são marcantes nesse estilo de cobertura. O casamento não é simplesmente registrado, o fotógrafo busca contar uma história através de imagens. Com isso, as etapas de preparação do noivo e da noiva ganham importância, pois também fazem parte do grande dia. Dá-se maior atenção para os detalhes, que marcam a singularidade de casa casamento.

( Segundo os autores sobre fotojornalismo como Jorge Pedro Souza e Susan Sontag dizem que não há fotojornalismo sem texto, e não há como compreender todo o sentido de uma fotografia a partir dela mesma. Agora, consideraria fotojornalismo, se um álbum de fotografia, contasse realmente a historia do casal, incluindo textos e imagens, fotografia do lugar onde o casal se conheceu, lugares marcantes do casal, a preparação do grande dia, o evento em si e algum outro aspecto relevante que o casal julga.)

Nesse tipo de fotografia, a prioridade é para as cenas espontâneas. Como um repórter-fotográfico, o fotógrafo deve intervir o menos possível nos acontecimentos. Tornar-se invisível é a melhor maneira de conseguir flagrantes de grande emoção. Estar atento aos imprevistos também é importante.

Esse estilo de atuação pede o uso criativo da luz ambiente. (ou seja, sem o uso de flash e de preferencia com lentes luminosas para compensar a falta do flash) Além de gerar uma iluminação muito marcada, o disparo do flash chama muita atenção para o fotógrafo e acaba provocando a pose de retratados.

Ao se aproveitar da luz ambiente, com uso de altas sensibilidades, o fotógrafo consegue maior naturalidade e tem uma liberdade maior também. É possível usar o flash rebatido ou em baixa potência, apenas para preenchimento, deixando que a luz ambiente tenha um papel preponderante.

Vinícius destaca que fazer uma cobertura de casamento em estilo fotojornalístico é arriscado quando se está trabalhando sozinho. Para se dedicar aos detalhes e à cenas espontâneas que surgem durante os momentos decisivos da cerimônia, é preciso que um outro fotógrafo garanta a cobertura dos noivos.

Além disso, é essencial haver um entrosamento fino entre os fotógrafos, que pode ser melhorado com um sistema de comunicação por rádio.

O produto final também mudou de cara com o novo estilo de fazer casamentos. Os álbuns com fotos coladas deram lugar a livros diagramados com imagens em diversos formatos e cortes, que garantem maior valor agregado e dão maior liberdade à criatividade do fotógrafo.

A seguir, confira exemplos de fotos marcantes de Vinícius Matos e os detalhes de técnicas e prática profissional que existem por trás delas:

Aproveitar a luz disponível

Outro exemplo de uso da luz ambiente para fazer um flagrante de crianças durante a cerimônia. Vinícius revela que usa constantemente lentes fixas com grandes aberturas máximas de diafragma, como f/1.4, f/1.8 e f/2.

Apesar de demandar maior mobilidade do fotógrafo, as objetivas fixas luminosas têm maior vantagem de permitir um melhor aproveitamento da iluminação disponível que, no caso dos casamentos, é quase sempre uma variável crítica.

Saber prever

Uma das características do fotojornalismo de casamento é a antecipação ou tentativa de prever certos acontecimentos. Para tanto, é preciso estar atento em cada detalhe e preparado para disparar no momento decisivo, nem antes nem depois. A concentração é importante para não se precipitar.

É o caso da imagem acima, que foi clicada no exato momento em que a daminha bocejou no meio da oração. Vinícius não deixou a cena escapar e conseguiu um efeito especial pelo fato de a foto dar a impressão de que a menina estava rezando com todas as suas forças, em alto e bom som. (manipulação da realidade?)

A iluminação suave, feita pela luz de velas e por uma luz contínua de vídeo, foi mantida e teria sido anulada caso o fotógrafo optasse por disparar um flash frontal.

A fotografia levou o primeiro lugar na categoria Cerimônia em edição recente do concurso promovido pela Associação Internacional de Fotógrafos Profissionais de Casamento (ISPWP – WWW.ispwp.com )

Instante de intimidade

A etapa de preparação dos noivos, que anteriormente era negligenciada, agora passa a ganhar importância, pois trata-se de um momento cercado de muitas expectativas, que faz parte do grande dia. O fotógrafo consegue captar emoções fortes, como ansiedade, carinho, apreensão. Além disso, ele tem a oportunidade de conhecer melhor os noivos, criando vínculos e gerando confiança.

Em família

O fotojornalista de casamento em certas ocasiões pode ter que agir como um catalisador de emoções. Ele tem pouco tempo para contar uma história de amor e muitas vezes nem tudo o que ele espera e planeja acontece no dia da cerimônia. Para fazer a foto acima, Vinícius estava em um elevador com a noiva e seu pai. Ambos olhavam para o chão, muito nervosos, pois entrariam no salão em questão de minutos.

“Pensei: ‘tenho pouco tempo para tirar emoção daqui, vou tentar usar uma interação’. Soltei uma única frase indagando ao pai: ‘O senhor já viu o quanto sua filha é linda?’. Ele disse que sim, abriu o sorriso e me presenteou com a foto”, conta Vinícius.

(Ok, Ok, então eu, sendo fotojornalista quando estiver em pauta no jornal e precisar fotografar uma ciclovia, eu vou parar um cidadão numa bicicleta e pedir para ele passar algumas vezes na mira da minha lente para fotografar e registrar ou eu espero uns instantes alguém passar de forma natural na ciclovia e fazer um recorte da realidade que se consumou naquele ato? Penso que não. Até o dito fotojornalismo de casamento tem uma construção plástica, o fotógrafo querendo ou não interfere na cena, Será que não ela melhor o registro da emoção de ansiedade e nervosismo para um momento tão marcante? De qualquer forma, o fotógrafo já havia pré-visualizado em sua mente que a foto ideal era com o pai da noiva sorrindo com a sua filha do lado.)

A luz ambiente do elevador não era a mais apropriada. Apesar disso, o resultado final é interessante, pela carga de emoção trocada (eu diria induzida pelo fotógrafo) pela noiva e seu pai poucos minutos antes de começar a cerimônia de casamento.

Álbuns diagramados

Produto final mais conhecido no ramo da fotografia de casamento, o álbum também sofreu grandes mudanças com a modernização da profissão. No lugar dos álbuns com fotografias coladas, entrou o álbum diagramado com o uso de softwares, que permitem compor as páginas de maneiras variadas, limitadas somente pela criatividade do fotógrafo.

O fotógrafo também faz uso constante do p&b, que confere maior nobreza e um caráter atemporal ao álbum.

Mesmo com a introdução de novidades, é importante saber como se faz o clássico de bom gosto.

Dois fotógrafos

Além da segurança de não se perder nenhum momento importante, trabalhar com mais de um fotógrafo permite registrar a mesma cena de dois pontos de vista completamente diferentes o que só vem a enriquecer o trabalho final.

Para arriscar é preciso ter uma boa retaguarda. Vinícius costuma cobrir casamentos acompanhado de pelo menos um segundo fotógrafo. Comunicação constante e entrosamento são necessários para que um não atrapalhe o trabalho do outro. Em cerimônias grandes, é indicado usar um sistema de comunicação por rádio.

Opinião do Leitor

Alexandra Martins, Fotojornalista, Brasília-DF

A diferença de um Fotojornalismo de Casamento e de um Fotógrafo de Casamento seria essa mescla entre esses dois gêneros da fotografia. O fotojornalista de casamento tenta fazer imagens mais naturais, espontâneas e em cima daquela lógica do momento decisivo. Acho uma iniciativa interessante porque há tempos as fotos de casamento estão ficando um tanto fake e meio brega com imagens posadas entre os noivos.

Conclusão

Bom, primeiro uma tendência ou um estilo que já está consolidado: A busca por fotografias mais espontâneas, construção de narrativas, criar um enredo para contar a estória do casal e o registro do casamento. Hoje, é melhor utilizar lentes mais luminosas  e evitar-se o uso de flash. Dois fotógrafos já permite trabalhar com fotografias mais espontâneas, umas vez que, a chance de registrar um momento único é maior.

Para conferir as fotos de Vinícius Matos http://lafoto.wordpress.com/

E o Blog do Dennis Reggie http://www.denisreggie.com/

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One Comment leave one →
  1. SilvaJr permalink
    24 de abril de 2010 6:37 PM

    Gostaria de te convidar a participar de uma rede de conteúdo. Se quiser me manda email ocasional82@yahoo.com.br. Inté

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