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O fotojornalismo na assessoria de imprensa

4 de junho de 2009

Trago um post especial: O fotojornalismo no universo da Assessoria de Imprensa.

Quando falamos em fotojornalismo, tendemos a associar com jornal impresso, uma grande redação jornalística, ritmo intenso de trabalho e por ai vai. Entretanto, existe um outro caminho, também interessante que pode ser um caminho de trabalho: As assessorias de Imprensa.

O fotojornalismo no atual momento dos veículos de comunicação multimídia ganha crescente importância. Apesar de ter lido muito sobre que o profissional da comunicação precisa ser cada vez mais convergente, ou seja, produzir não apenas boas fotos, mas escrever bem, editar bem, e manejar equipamentos de vídeo e áudio, além de produção de conteúdos para blog, e podcast entre outros (ufa.. deu né?).

O assessor de imprensa pelo menos aqui em Blumenau tem compreendido a importância da imagem associada com um bom texto. “Um release certamente ganha mais peso (especialmente em veículos impressos) quando chega à redação acompanhado de fotos com conteúdo/informação”, explica Marli Rudnik, jornalista e empresária da assessoria de imprensa New Age Comunicação. Já para Ana Paula Ruchel, jornalista e empresária da Oficina das Palavras, texto e imagem possuem o mesmo peso quando deve-se atrair a atenção do editor no momento em que ele escolhe qual release ele irá trabalhar a pauta.

É uma necessidade de mercado haver textos acompanhados de imagem, e na opinião de Ana, não é qualquer imagem. Precisa ser “uma foto no ângulo certo, no momento certo” e complemento que também precisa haver enquadramento e inclusão de informações essenciais que sejam associadas ao texto. Isso é possível com maior êxito se houver um profissional. Aqui vale comentar que existe preocupação em profissionalizar a atividade de fotografia nas Assessorias de Imprensa em Blumenau. O que demonstra visão de mercado. Marli destaca que a fotografia é uma “Embalagem” do release, e isso caracteriza um reforço para o texto.

Para quem trabalha com assessoria de imprensa a diferença mais visível entre o fotojornalista de redação com o de assessoria são as possibilidades de haverem um melhor planejamento das pautas e programação de prazos. Outra diferença é que o fotojornalista trabalha para a fonte e ele deve compreender bem a linguagem que as redações dos jornais esperam das assessorias de imprensa (até porque não adianta querer empurrar uma imagem publicitária da empresa).

O fotojornalismo é (e porque não?) uma construção de imagem do cliente, e isso é feito com consciência e conhecimento de causa, selecionando enquadramento correto, perspectiva, incluindo ou excluindo elementos da cena, gestos, expressões, enfim, selecionar um recorte da realidade que venha a suprir as necessidades de imagem daquele cliente. Mas isso não seria publicidade? Entendo que a publicidade esteja mais cercada de produção e a utilização em larga escala de estúdio. Já o fotojornalismo propriamente dito depende muito mais do olhar do fotógrafo no evento e de uma máquina digital, seja essa máquina com flash ou não.

Para Ana Ruschel, “trabalhar a imagem de um cliente é fazer uso de uma gama de recursos profissionais que atinjam o resultado almejado no momento da contratação (do serviço)”. Marli complementa que existe a tendência de empresas vislumbrarem a documentação fotográfica como suporte para a assessoria de imprensa e memória fotográfica, o que sugere uma construção da imagem ao passar dos anos e que sempre estará disponível. Afinal, quem já não entrou na recepção de uma empresa e encontrou pendurado na parede uma foto emoldurada da empresa nos seus primeiros anos e não surge aquele pensamento: “Nossa, antigamente era tão pequena e agora é tão grande. Como cresceram!”.

Construir a imagem não é manipular a realidade, (até porque como já apresentei no artigo anterior, a fotografia não é o espelho fiel da realidade, e sim uma representação dela a partir da visão de mundo do fotógrafo). O assessor de imprensa tem como objetivo auxiliar o seu cliente no momento de transmitir uma informação visual sobre seus produtos e serviços. Marli explica que cabe às assessorias de imprensa promoverem boas ações de seus clientes, e isso também deve ser um reflexo nas fotos. A pergunta que ela deixa foi: Se o fotógrafo do jornal/revista viesse até à empresa fazê-la, esta foto seria diferente (enfoque, informação), do que a oferecida pela assessoria?

Isso faz recordar um momento em que tive a oportunidade de trabalhar tanto para a empresa têxtil quanto para o jornal.

Percebi ao refletir a pergunta da jornalista Marli que existe diferença sim. A serviço do jornal precisava fazer fotos da linha de produção, mostrar ao leitor que o setor estava aquecido e contratando pessoas. Minha preocupação era conseguir os elementos: trabalhadores, maquinários e produtos. Em ordem de planos: trabalhador, maquinário e mais ao fundo, ou um vasto estoque, (mas que também poderia suscitar mercadoria encalhada) ou um grande grupo de pessoas trabalhando, se possível, de forma homogenia.

Quando consegui as fotos, fui embora. Missão cumprida. Tempo depois, ao ir novamente na mesma empresa para fotografar para a empresa, tive que registrar os diferentes ambientes de trabalho e precisou ter um enfoque documental e também de assessoria de imprensa. Posteriormente aprendi muitas coisas que fotograficamente, não poderiam aparecer, como por exemplo, trabalhadores sem os seus equipamentos de segurança.

Fiz uma foto no qual um trabalhador estava numa máquina de fazer golas de camisa e ele a operava ela sem os óculos de segurança. Imagine se uma foto dessa vai para o jornal e alguém denuncia a empresa por não respeitar as normas de segurança? Com certeza geraria um transtorno desnecessário para a empresa.

Este é o exemplo mais fácil. O que eu compreendi que o fotojornalista de assessoria é mais atento e preocupado com os elementos que irão compor a fotografia. Já o fotojornalista de jornal impresso, tem em sua missão, conseguir juntar elementos informativos que satisfaçam (ou até mesmo que flagrem alguma irregularidade) os critérios de noticiabilidade do jornal.

Não que seja conclusivo, mas este post é com certeza um caminho a ser explorado com maior profundidade. Abaixo segue as entrevistas, na íntegra.

 

Ana Paula Ruschel – Oficina das Palavras

Qual sua visão sobre o fotojornalismo na assessoria de imprensa, ele desempenha qual serviço?

O fotojornalismo complementa o texto e vice-versa. Por mais que um assunto seja interessante, ele na grande maioria das vezes pede um complemento visual. E isso não significa que qualquer imagem valha para ilustrar uma pauta. É necessário o conhecimento de um profissional, que consiga captar o melhor ângulo e o momento exato para que um registro transpasse toda uma informação.

Acredita que o fotojornalismo na assessoria de imprensa seja uma construção de imagem do cliente?
Acredito que complemente. Trabalhar a imagem de um cliente é fazer uso de uma gama de recursos profissionais que atinjam o resultado almejado no momento da contratação

Isso não seria de certa forma uma manipulação da realidade?

Construir a imagem não é manipular. Na nossa interpretação, construção de imagem e auxiliar o cliente na melhor maneira de transmitir uma informação sobre produtos e serviços. A ética nos ensina a comunicar e não inventar

Que tipo de trabalho o fotojornalista pode desempenhar nas assessorias?
Pode complementar um release, mostrando aos colegas de redação que a sugestão de pauta é realmente interessante. Isso independe o tipo de mídia.

O fotojornalista de assessoria tem diferença do fotojornalista de redação? se sim, qual(is)

A única diferença é que trabalhamos para a fonte. O fotojornalista que trabalha para uma assessoria precisa, acima de tudo, saber a linguagem esperada pelas redações para que a pauta tenha maiores possibilidades de emplacar

Acredita que a imagem é um chamariz e tem mais força e poder de atrair um veiculo de imprensa do que apenas o texto?
Não, creio que ambos de um modo geral tenham o mesmo peso .

 

Marli Rudnik – New Age Comunicação

 

Qual sua visão sobre o fotojornalismo na assessoria de imprensa, ele desempenha qual serviço?

É um reforço muito importante ao trabalho do assessor, pois, aliado a uma matéria de qualidade enviada aos veículos, deve estar a imagem daquele contexto. Considero a fotografia uma "embalagem" do release, especialmente nos veículos impressos, mas não só neles. Com a ferramenta da internet, emissoras de rádio e TV têm solicitado matérias com fotos para utilizar em seus sites. O que multiplica a importância da fotografia.

Acredita que o fotojornalimo na assessoria de imprensa seja uma construção de imagem do cliente?

Sim, desde que haja consciência em fazer um trabalho de qualidade e sempre atual. Muitas empresas estão adotando a documentação fotográfica periódica como suporte para assessoria de imprensa, o que permite manter atualizado o portfólio quanto a equipamentos, novos produtos e pessoas. E com imagens profissionais, o que é mais importante, nesta era em que a câmera digital resolve tudo.

Isso não seria de certa forma uma manipulação da realidade?

Depende do enfoque que o assessor de imprensa der ao trabalho. Cabe às assessorias promoverem as boas ações de seus clientes e mostrar isso em fotos, quando possível. A reflexão é: se o fotógrafo do jornal/revista viesse até à empresa fazê-la, esta foto seria diferente (enfoque, informação), do que a oferecida pela assessoria?

Que tipo de trabalho o fotojornalista pode desempenhar nas assessorias?

Fundamental manter uma rotina de documentação fotográfica de tudo que possa gerar notícia na empresa: parque fabril, equipamentos, produtos, pessoas (diretores), programas sociais e ambientais. Também acompanhar a programação de pautas da assessoria de imprensa.

O fotojornalista de assessoria tem diferença do fotojornalista de redação? se sim, qual(is)

Em assessoria é possível atuar com mais planejamento e programação de prazos. As pautas podem ser mais elaboradas.

Acredita que a imagem é um chamariz e tem mais força e poder de atrair um veiculo de imprensa do que apenas o texto?

Um release certamente ganha mais peso (especialmente em veículos impressos) quando chega à redação acompanhado de fotos com conteúdo/informação.

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