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Fotojornalista: profissao de risco

5 de junho de 2009

Talvez muitos reporteres fotográficos não tenham vivido alguma situação de real perigo em suas vidas (e eu me incluo) estava lendo no Novo em Folha e encontrei alguns relatos interessantes sobre coberturas fotográficas.

Este aqui é sobre como a fotojornalista Adriana Franciosi, Repórter Fotográfica do Jornal Zero Hora de Porto Alegre, lidou com uma situação na qual esteve envolvida com um criminoso atrás do carro disparando tiros e executando pessoas na rua. O que vale nessas horas? Fazer “a foto” ou preservar a vida? Nestas horas vale mesmo o instinto humano de sobrevivência, até porque, a descarga de adrenalina é tão grande e os sentidos ficam tão aguçados que tudo parece acontecer muito rápido, como ela mesma descreveu. E toda essa descarga de química no corpo faz com que o raciocínio e o pensar fotográfico vá pelo ralo, e ai fica o instinto e a intuição do ser humano. Talvez a foto da Adriana não tenha sido perfeita, mas a posição do criminoso e das pessoas caídas no chão e o detalhe do banco do carro (em preto) dá a entender explicitamente que ele estava correndo em direção ao carro para matar ela e o motorista.

     Eu sou a Adriana Franciosi, repórter-fotográfica do jornal Zero Hora de Porto Alegre. Fui eu que fotografei a fuga do jovem que acabara de executar duas pessoas. Li tua entrevista com o Moisés, meu querido colega, por quem tenho o maior respeito e admiração. Te escrevo apenas para deixar claro a alguns dos teus leitores como foi que procedemos diante de uma situação de horror e pânico absolutos.

     Eu estava com o motorista, aguardando o Moisés em frente a uma ONG que atende a crianças da Vila Cruzeiro, quando ouvi os disparos. Naquele momento não soube identificar de onde vinham. Olhei para frente do carro e vi três caras a mais ou menos meia quadra observando o crime.

     No mesmo instante, o motorista observava pelo retrovisor do carro e me avisou que os tiros vinham detrás. Foi tudo muito, mas muito rápido…só deu tempo de virar, erguer a câmera e fazer um disparo. Gritei para o motorista: “sai daqui”, porque vi o matador com a arma na mão sair em disparada na direção do nosso carro. Tudo isso em segundos…o motorista arrancou e só pude perceber o barulho dos pneus do carro.

     Imediatamente pedi socorro pelo rádio de comunicação interna do carro. Dei o endereço para que chamassem imediatamente socorro, pois havia dois corpos no local. Além disso, o nosso repórter estava lá dentro da casa da ONG, que é cercada. Mesmo assim, nâo sabia como ele estava. Eu e o motorista estávamos na linha de tiro. Foi pânico total. Logo que avistei uma viatura passando com a sirene ligada deduzi que ela estava indo ao local.

      Pedi ao motorista que a seguisse. Voltei ao local e vi uma pequena multidão reunida. Em meio a eles vi o Moisés. Um tremendo alívio me veio naquele instante por ele estar bem.

     Agora, com o distanciamento necessário dos fatos, vejo que tomei a atitude correta ao sair dali. Certo que não fiz a melhor foto, mas creio que preservar a integridade física, tanto minha como do motorista, é mais importante. Isso talvez responda aos comentários do teu blog.

   Sempre leio o teu blog. E, há anos atrás, fiz aqui na RBS um curso similar chamado Jornalismo Aplicado. Tenho recebido todo o respaldo dos meus editores de Zero Hora. Por vezes penso que  desejaria nâo ter visto o horror que vi. O jornal tem sido muito cuidadoso comigo, embora não possamos viver com medo. Sigo agora para cobrir as eleições no Paraguai. Vida de repórter-fotográfico é isso aí.

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