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Surgimento da Fotografia na Imprensa – parte 3

22 de junho de 2009

Para recompensar estes dias ausentes do Blog, publico a terceira parte sobre o Surgimento da Fotografia na Imprensa. Aproveitem!

Durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870 e na breve existência da Comuna, os seus defensores se deixavam fotografar nas barricadas, isso registrado em centenas de fotografias. Aqueles que foram reconhecidos nas fotografias pelos policiais de Their foram quase todos fuzilados. Cronologicamente, foi a primeira vez que a fotografia serviu como indicador para a Polícia. Legitimou poder a polícia para prender e fuzilar quem era contra o governo por meio da constatação fotográfica, a fotografia deu credibilidade.

Ainda no mesmo ano de 1870, desembarcou na América um dinamarquês de 21 anos, chamado Jacob A. Riis.

Fonte: Americam History Line

 

Anos mais tarde ele se tornou jornalista no New York Tribune ele foi o primeiro a servir-se da fotografia como instrumento de crítica social para ilustrar seus artigos sobre as miseráveis condições de vida dos imigrantes nos bairros desfavorecidos de Nova Iorque. Ele atuará com o sociólogo Lewis W. Hine que entre 1908 e 1914 fotografará as crianças, trabalhando doze horas por dia nas fábricas ou campos, ou nas insalubres casas dos slums. Essas fotografias despertam segundo Freund, a consciência dos americanos e suscitam mudanças na legislação sobre o trabalho infantil. A fotografia pela primeira vez na história foi utilizada como uma “arma” na luta da melhoria das condições de vida das camadas pobres da sociedade americana.

 

 

 
Créditos: Jacob A. Riis.

 

No princípio dos anos 30, sob a direção da Farm Security Administration, que fazia parte do New Deal de Roosevelt, Roy Stryker reuniu uma equipe de fotógrafos que foram enviados para as zonas rurais mais castigadas pela crise econômica. Em 1975 o Governo Parisiense encarrega repórteres fotográficos de visualizarem os graves problemas da população dos subúrbios parisienses. O que quero dizer, é que todos eles são profissionais enquanto Jacob A. Riis e Lewis W. Hine são amadores que utilizam a fotografia para conferir maior credibilidade aos seus artigos, entretanto, quando a fotografia passa a ser utilizada com mais freqüência pela imprensa, aparecem os primeiros repórteres fotográficos profissionais. Evidente que logo não tarda a adquirem uma reputação deplorável. Para fazer fotografias em interiores, por exemplo, eles faziam com o auxílio de magnésio em pó. Este produz uma luz ofuscante ao mesmo tempo que libera uma nuvem de fumo ácido e de cheiro nauseabundo. Os equipamentos fotográficos dessa época eram pouco práticos e pesados demais. O interessante é notar que os fotógrafos eram selecionados mais levando em consideração sua força para carregar as pesadas máquinas, do que pelo seu talento. Naquela época buscava-se conseguir uma fotografia, uma vez que a queima do pó, fazia surgir surpresas desagradáveis como bocas abertas, olhos fechados ou em poses nada vantajosas. A imagem deveria ser nítida e passível de reprodução. Assim era o critério para uma boa foto. O aspecto da pessoa fotografada, composição, planos era o que menos preocupava fotógrafos e redatores. As pessoas da política foram suas primeiras “vítimas”  e rapidamente começaram a desprezar o trabalho dos fotógrafos. Nenhuma dessas fotos era assinada pelo autor e o estatuto do fotógrafo de imprensa durante quase meio século como inferior comparado como ao de um simples servidor ao qual se dão ordens e privado de qualquer iniciativa. Ainda nos nossos dias, o ofício de fotógrafo possui barreiras e obstáculos e é desconsiderado por muitas pessoas. Algo que vem de séculos e historicamente comprovado. Como nos primeiros tempos de sua invenção, a fotografia atrai um grande número de pessoas sem cultura que acreditam ter encontrado um meio de ganhar a vida com este ofício de aprendizagem fácil, mas para cujo exercício nada os preparou. A estes últimos se acrescentam-se uma nova raça de repórteres, nascida na Itália nos anos cinqüenta, os Paparazzi. Suas façanhas contribuem ainda mais para depreciar (até hoje!) o ofício de fotógrafo. Sobre isso, discutirei em outro post.

 

Fonte: FREUND, Gisèle. Fotografia e Sociedade, 1995, 2 edição.

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