Skip to content

Fotografia e análises

9 de julho de 2009

Como há pessoas capazes de analisar de forma crítica e concisa uma fotografia? quais os aspectos e elementos relevantes na análise? há um formula?

Já tive oportunidade de estar presente em uma sala onde um grupo de jurados estava a avaliar cerca de 60 fotografias. Fotografias de pessoas amadoras é claro. Enfim, A questão é que cada concurso vai nortear os aspectos mais importantes e específicos que são daquele concurso. Uns podem elencar a luz como fator principal de escolha da fotografia campeã, ou talvez, seu ineditismo, ou ainda, a forma como sou composta a imagem.

Mas, basicamente percebi que a fotografia tem sua gênese de análise, nela mesma. Ela é quem vai ditar a forma como será analisada. Essencialmente possuirá maior afinidade com algum elemento morfológico. Resumindo:

http://ideiasemserie.net

Olhe para a fotografia desta arvore. O que mais chama a atenção? O elemento morfológico que mais chama a atenção é o contraste de cor. A arvore com seu tom escuro e o céu com as nuvens. Também há o posicionamento da linha do horizonte mais abaixo, para poder registrar a arvore em sua totalidade em termos de altura e o corte no lado direito da fotografia que nos impede de ver a outra parte da arvore de alguma forma foi uma quebra proposital para valorizar a regra dos terços.

A fotografia pode apresentar ou não, um ou mais elementos morfológicos que proporcionará peso em termos de imagem e mensagem fotográfica.

No caso da arvore, encontramos alguns mais evidentes. Outro, talvez nem tão chamativo é o lago ao fundo, com o reflexo de um conjunto de casas, talvez um pequeno vilarejo que suscita bucolismo, algo rural.

Mas quais destes elementos vale mais? É difícil mensurar, pois isso é subjetivo e vai depender de cada avaliador e dos critérios que tenham maior peso ou não no processo de escolha de uma fotografia. Por isso, mais do que ter uma máquina fotográfica “power” é preciso pensar a fotografia como mensagem, e escolher os elementos que vão constituir essa mensagem. “Dentro das possibilidades na realidade a qual o fotógrafo se encontra, o que neste cenário posso utilizar para dar contraste, textura, formar um bom enquadramento para passar a mensagem x, y ou z?”

No caso do repórter fotográfico, trago este texto um pouco mais denso, extraído do meu projeto laboratorial da Faculdade:

Para ir além

Segundo Pignatari (2003 p. 27), “pelo menos hipoteticamente, a palavra signo, através do latim signum, vem do grego secnom, raíz do verbo “cortar”, “extrair uma parte de””. Dessa forma, a fotografia é nada mais que um recorte de uma verdade, de um fato. Dentro da classificação dos signos, a fotografia é o ícone, pois possui semelhança com o seu referente. A significativa possibilidade do recurso fotográfico é a de retratar um corte da realidade.

A imagem é autenticadora da verdade. Mais do que isso, a imagem que a fotografia proporciona permite várias leituras e interpretações. Como a imagem não é uma linguagem verbal, se o fotojornalista não souber compor corretamente e ter um “olhar fotográfico” de seu assunto, ele corre o risco de produzir interferências no seu processo de construção da mensagem. Conforme Paiva (2004, p. 9), “a imagem não é fonética, nem verbal. Se a escrita é a representação verbal da linguagem, aquilo que vemos é a representação visual, para um sistema geral (verbal e visual) de representação, usado a comunicação.”

As imagens são separadas em dois esquemas de significações: o mundo das imagens e o esquema da comunicação. Para Júnior (2005), existem três tipos de mensagens nas fotografias: a mensagem lingüística, a mensagem denotativa e a mensagem conotativa. É na mensagem denotativa que a fotografia é caracterizada, com seus elementos dos planos, cor, exposição. A mensagem conotativa traz, para quem vê a imagem, um sentido subjetivo, nos faz pensar “O que esta fotografia nos quer dizer?”. Este processo de conotação segundo Júnior (2005), vem de um procedimento de produção de imagens baseado no estereótipo adaptado. Ao classificar uma imagem em uma categoria já existente, como por exemplo, a imagem do Papai Noel sentado numa cadeira com crianças no colo, torna-se mais fácil a sua reprodução, requerendo do fotojornalista o trabalho de adaptar às necessidades do momento, como ir ao shopping procurar o tal o papai Noel sentado numa cadeira atendendo crianças, e adaptar a situação para mostrar a fachada de lojas e construir o sentido conotativo de que o natal, para o capitalismo, tem propósitos de consumismo e vendas.

Para Bauer (2005, p. 336), “normalmente, nós não examinamos detalhadamente a imagem procurando seus sentidos culturais implícitos.” Não fomos treinados para fazer análises profundas das imagens; ao olharmos, associamos elementos da composição e buscamos ver o que agrada aos olhos. Por isso, muitas vezes, olhamos uma foto e gostamos dela sem saber exatamente o porquê, em outras, falamos “algo aqui não está legal”. E importante é buscar olhar a construção do sentido da imagem, segundo Júnior (2005), o momento da enunciação fotojornalística que irá permitir evidenciar os recursos utilizados pelo repórter fotográfico na construção das fotografias.

Fonte: Imagem: http://ideiasemserie.net

Referências Bibliográficas:

BAUER, Martin;W. Gaskell, George (Ed). Pesquisa Qualitativa com texto, imagem e
som: um manual prático, Petrópolis, Vozes, 2005.
JUNIOR, Nelson Soares Pereira. Discurso e Imagem: Possibilidades Metodológicas para
uma Análise Discursiva do Fotojornalismo Contemporâneo. Disponível em:
<http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/18218/1/R0894-1.pdf >Acesso em: 7 set. 2007.
PAIVA, Maria Eliana Facciola. Teorias da imagem, os modos técnicos do visual.
Disponível em: <http://reposcom.portcom.intercom.org.br/dspace/bitstream/1904/19632/1/Maria+Eliana+Facciola+Paiva.pdf> Acesso em: 7 set. 2007.
PIGNATARI, Décio. Informação Linguagem Comunicação. 25. ed. São Paulo: Ateliê
Editorial, 2003.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: