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Foto do mês: Menino de Manguinhos

27 de julho de 2009

Estive visitando o wordpress do Fernando Souza, fotojornalista carioca com um olhar fotográfico muito bom. Em minha opinião, é bom com foto-reportagens e no trabalho de composições fotográficas.

A foto que gostaria de trazer conta uma pequena história com um desfecho incerto sobre o destino do menino de manguinhos. Logo após, quero suscitar uma breve discussão da intervenção ou não do fotojornalista na cena registrada.

Foto: Fernando Souza

 

Texto de Fernando Souza:

Desci do carro pra fazer umas fotinhas de chuva, na chuvosa sexta-feira de ontem, quando vi uma criança, bolinhas de tênis nas mãos, sentada no meio-fio, morrendo de frio…

O sinal estava fechado, mas ele não estava jogando as bolinhas para o alto…

Estava triste, cabisbaixo.  Algumas pessoas repararam na cena e deram uns trocados a ele. Acho que quase o vi chorar…

Não resisti e perguntei a ele, porque ele não ia embora, estava chovendo pra caramba, um frio danado, que ele iria acabar pegando um resfriado.

– Não posso, tenho que arrumar o dinheiro do gás.

– Qual seu nome?

– Henrique.

– Onde mora?

– Manguinhos.(Estávamos em Ipanema.)

– Quanto falta pra completar o dinheiro do gás?

Henrique pega os trocados, faz a conta e diz.  Muitos reprimem essa ação, mas dei a quantia que faltava para o gás, e pedi pra ele prometer que voltaria pra casa. Henrique se foi, mas se foi pra casa, não sei. :(

 

Foto: Fernando Souza

 

Chamou a atenção o diálogo que o fotojornalista iniciou, alterando o destino de Henrique  ao dar o dinheiro para o botijão de gás. Há muitas discussões sobre o fato do Fotógrafo interferir na cena ou não que acontece a sua frente. Manuais de fotografia tem um “breve” consenso no caso da real vontade do fotógrafo interagir com os motivos fotografados, deve-se nesse caso, primeiro fotografar, e depois intervir.

Em algum momento Fernando Souza deve ter havido uma comoção com a história do garoto, e o ajudou a comprar o gás.

Na primeira fotografia, a intervenção não deve ter ocorrido devido ao leve chapado dos planos (característica de uma tele-objetiva). Deduz-se que Souza estava afastado do rapaz. Então deve ter se aproximado mais e perguntou porque estava sentado na calçada.

A segunda foto já prescreve um resultado da realidade que Fernando ajudou a construir: Deu dinheiro ao rapaz para comprar o Botijão com a condição dele ir embora naquele momento para comprar. É certo ou errado? não pretendo encontrar a resposta, pois é uma resposta interpretativa subjetiva.

Digo que depende do ponto de vista: Levando em conta o lado humano, social do fato, Fernando agiu de forma correta conciliando o que os manuais dizem sobre intervenção do fotógrafo na cena jornalística. Fotografou primeiro, e interviu depois. E melhor que isso: Fernando deixa claro ao leitor que ele abordou e ele deu dinheiro e estabeleceu a condição para este dinheiro. Manipulação da realidade? Dentro do seu propósito não, até porque, Fernando passou a ser a realidade da cena. Diferente dele por exemplo, provocar uma briga entre policiais e manifestantes para registrar fotos e estamparem no jornal a briga, mas evidente sem dizer que foi o Fernando que deu início a briga.

Parabéns pelo registro e pela condução ética do trabalho. Merece ser a foto do mês aqui no blog.

 

Fonte: http://lafotometria.wordpress.com/ 

OBSERVAÇÂO: Estas fotos foram cedidas mediante solicitação à Fernando Souza, se alguém desejar alguma foto, favor entrar em contato direto com ele.

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